sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Remédios Falsificados - Como se prevenir

Na hora de comprar medicamentos, o que fazer para se proteger de falsificações ?


Você tem acompanhado as denúncias pela imprensa e sabe que há verdadeiras quadrilhas de falsificadores de medicamentos agindo no país, colocando em riso a saúde da população. A imprensa também tem mostrado ações do Ministério da Saúde e da polícia para investigar e punir os criminosos, tirando de circulação os medicamentos falsos, Foi também aprovada, com urgência, uma nova lei que endurece as punições: falsificar medicamentos, agora, pode dar até 30 anos de prisão. No entanto, você continua precisando comprar medicamentos. Esta cartilha pode lhe ajudar a se proteger, tirar suas dúvidas e agora com mais segurança. Fique antento às recomendações e defenda sua saúde.
SÓ TOME MEDICAMENTOS POR RECEITA DO SEU MÉDICO. Nada de seguir conselhos de vizinhos, de pessoas da família ou de balconistas de farmácia ou drogaria. Você pode ter surpresas com doses erradas, efeitos imprevistos ou até agravar uma doença por tomar um medicamento errado e sem efeito.
Só compre medicamentos em farmácias e drogarias, de preferência aquelas que você já conhece. NUNCA COMPRE MEDICAMENTOS EM FEIRAS E CAMELÔS. Muita atenção com promoções e liquidações: preços muito baixos pdem indicar que o medicamento tem origem duvidosa, nenhuma garantia de qualidade ou até mesmo pode ser produto roubado.
EXIJA SEMPRE A NOTA FISCAL da farmácia ou drogaria. Nela deve constar, além do nome do medicamento, o número do lote.
GUARDE COM VOCÊ a nota fiscal, a embalagem e a cartela ou frasco do medicamento que está sendo usado. Eles são seu comprovante, em caso de irregularidade, para você poder dar queixa.
SE O MEDICAMENTO FALHAR, PROCURE IMEDIATAMENTE SEU MÉDICO.
Se o medicamento que sempre foi eficaz deixar de fazer efeito de repente ou se a pessoa está usando o medicamento piorar, recorra ao médico. Ele vai corrigir o tratamento da doença e pode mandar o medicamento suspeito para ser testado pela Vigilância Sanitária.
 
Na hora da compra, VERIFIQUE SEMPRE na embalagem do medicamento:


1 - Se consta a data de validade do produto.

3 - Se o nome do produto está bem impresso e pode ser lido facilmente.

Se não há rasgos, rasuras ou alguma informação que tenha sido apagada ou raspada.

2 e 4 - Se consta o nome do farmacêutico responsável pela fabricação e o número de sua inscrição no Conselho Regional de Farmácia. O registro do farmacêutico responsável deve ser do mesmo estado em que a fábrica do medicamento está instalada.

Se consta o número do registro do medicamento no Ministério da Saúde.

Se o número do lote impresso na parte de fora da caixa é igual ao que vem impresso no frasco ou na cartela interna.


• Soros e Xaropes devem vir com lacre
Isso é obrigatório para todos os medicamentos líquidos.




A Bula não pode ser uma cópia xerox.
Se a bula do medicamento não for original, não aceite o produto.

NÃO COMPRE medicamentos com embalagens amassadas, lacres rompidos, rótulos que se soltam facilmente ou estejam apagados e borrados.

CASO VÁ APLICAR UMA INJEÇÃO na própria farmácia ou drogaria, compre primeiro a medicação e verifique tudo o que foi dito acima. Só depois disso peça para fazer sua aplicação, que deve ser supervisionada pelo farmacêutico.

SE VOCÊ COSTUMA USAR UM MEDICAMENTO e já o conhece bem, ao comprar uma nova caixa não deixe de verificar:

• Se a embalagem que você está acostumado a ver mudou de cor, de formato ou se o tamanho das letras no nome do produto foi alterado;

• Se o sabor, a cor ou a forma do produto mudou.

PEÇA AJUDA AO FARMACÊUTICO responsável pela farmácia ou drogaria para identificar os itens acima. É possível que você tenha dificuldades porque a posição das informações (validade, lote etc) na embalagem varia de um produto para outro: às vezes na tampa, às vezes no fundo ou na lateral das caixas. Verifique se o profissional que está lhe atendendo é o farmacêutico.

O nome dele deve estar escrito em uma placa, pregada em local visível na farmácia ou drogaria. Este profissional deve identificar-se.

EM CASO DE SUSPEITA OU DIFERENÇA ENCONTRADA, faça o seguinte:

• Ligue grátis para o Disque Saúde (0800-311997) e peça orientação;

• Entre em contato com a Secretaria de Saúde local - Coordenação de Vigilância Sanitária e conte o que aconteceu;

• Procure as Delegacias de Repressão a Crimes Contra a Saúde Pública, da polícia Federal, e faça sua denúncia;

• Ligue para o serviço de atendimento ao cliente do laboratório que fabrica o medicamento suspeito. A maioria dos laboratórios tem esse serviço e o número do telefone, com chamada grátis, vem impresso na caixa do produto.

Os laboratórios sérios têm tanto interesse quanto você em descobrir e punir os falsificadores.

* Fonte Ministério da Saúde 
(Contribuição Renata Estanislau - Farmacêutica)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Câncer de Colo de Útero

O câncer de colo uterino é o câncer mais comum entre as mulheres no Brasil, correspondendo a aproximadamente 24% de todos os cânceres. Pode ser de vários tipos, pré-invasora: NIC (neoplasia intraepitelial cervical), geralmente assintomático, mas facilmente detectável ao exame ginecológico periódico (preventivo de câncer).

Os principais fatores de risco (que favorecem) o câncer de colo uterino são:
1- Baixo nível sócio-econômico;
2- Precocidade na primeira relação sexual;
3- Promiscuidade (múltiplos parceiros);
4- Parceiro sexual de risco;
5- Multiparidade;
6- Primeira gestação precoce;
7- Tabagismo;
8- Radiação prévia;
9- Infecção por papilomavírus(HPV);
10- Herpes vírus;
Prevenção

A prevenção do câncer de colo uterino passa por cuidados e informações sobre o uso de preservativos, a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e a orientação sexual desestimulando a promiscuidade. A nível secundário de prevenção está o exame ginecológico periódico.
O quadro clínico de pacientes portadoras de câncer de colo uterino pode variar desde ausência de sintomas (tumor detectado no exame ginecológico periódico) até quadros de sangramento vaginal após a relação sexual, sangramento vaginal intermitente, secreção vaginal de odor fétido e dor abdominal associada com queixas urinárias ou intestinais nos casos mais avançados da doença.
O diagnóstico é predominantemente clínico. A coleta periódica do exame citopatológico do colo uterino (também chamado de exame pré-câncer ou Papanicolau) possibilita o diagnóstico precoce tanto das formas pré-invasoras (NIC) como do câncer propriamente dito. No exame ginecológico rotineiro, além da coleta do citopatológico, é realizado o Teste de Schiller (coloca-se no colo do útero uma solução iodada) para detectar áreas não coradas, suspeitas. A colposcopia (exame em que se visualiza o colo uterino com lente de aumento de 10 vezes ou mais) auxilia na avaliação de lesões suspeitas ao exame rotineiro e permite a realização de biópsia dirigida (coleta de pequena porção de colo uterino) e conização, para estadiamento da lesão, fundamental para o estadiamento do câncer.
Estudos recentes têm demonstrado que o HPV pode ser precursor de lesões cancerígenas, já sendo utilizado uma vacina para prevenção, a vacina quadrivalente para os tipos: 6 ,11, 16 e 18.

Tratamento

Nas pacientes com diagnóstico firmado de câncer de colo uterino é necessária a realização de exames complementares que ajudam a avaliar se a doença está restrita ou não ao colo uterino: cistoscopia, retossigmoidoscopia, urografia excretora e, em alguns casos, a ecografia transretal.
O tratamento das pacientes portadoras desse câncer baseia-se na cirurgia radical e radioterapia. A quimioterapia tem sido empregada em protocolos de pesquisa. O tratamento a ser realizado depende das condições clínicas da paciente, do tipo de tumor e de sua extensão. Quando o tumor é restrito ao colo do útero os resultados da cirurgia radical e da radioterapia são equivalentes.
O tratamento cirúrgico consiste na retirada do útero, porção superior da vagina e linfonodos pélvicos. Pode ser realizada via abdominal ou via vaginal com laparoscopia. Os ovários podem ser preservados nas pacientes jovens.
O tratamento radioterápico pode ser efetuado quando o tratamento cirúrgico for contra-indicado e nos demais casos. Nas pacientes com envolvimento da bexiga e/ou reto a ra- dioterapia pode preceder à cirurgia.

* Dr. Gilberto de Paiva Lopes é Ginecologista / Obstetra



Opinião: A questão dos limites na educação dos filhos

É muito comum quando se conversa sobre a educação dos filhos, dizer que as crianças de hoje não são como as de antigamente: são mais mal-educadas, desobedientes, agressivas. É claro que dizer que hoje elas são diferentes daquelas de algumas décadas atrás é correto, pelo simples fato de que vivemos em uma sociedade tecnologicamente mais desenvolvida, que faz com que as informações circulem com uma velocidade cada vez maior, permitindo às nossas crianças o acesso cada vez mais precoce a um conhecimento muito vasto sobre o mundo de uma forma geral. Sem contar o fato de que hoje as crianças passam maior parte do tempo em creches, ou criadas pelos avós.
Entretanto, deve-se ter mais cautela ao dizer elas são mais mal-educadas, desobedientes e agressivas, pois o desenvolvimento do ser humano ao longo do ciclo de vida se dá por diferentes vias: física, motora, cognitiva, social, emocional. Isso significa dize que a criança não é a única responsável por suas atitudes e comportamentos. Muito pelo contrário.
Sabe-se que o papel dos pais (ou responsáveis) na educação e conseqüente desenvolvimento saudável dos filhos é central. Toda criança pede limites. Ao entrar em contato com o mundo social, de relações sociais, a criança é naturalmente “impelida” a experimentar de tudo, para ampliar sua gama de conhecimentos. E, muitas vezes, aquilo que parece mais interessante não é o melhor para ela – mas ela não sabe, ou ainda não tem a consciência suficientemente madura para compreender as consequências de seu ato. Quem precisa indicar isso são os responsáveis, por meio do limite e do respeito às regras.
Neste ponto, é fundamental ressaltar a importância da consistência destas regras. Dizer NÃO à criança não gerará nenhum “trauma”, nem mesmo quando os pais trabalham fora, e querem aproveitar ao máximo o pouco tempo que ficam com os filhos. O importante é saber sustentar o não que se diz, não voltando atrás caso a criança chore muito, grite ou faça pirraça. E mais, é necessário explicar o porquê do não, para que o filho compreenda as regras e assuma a responsabilidade que compete a ele.
As regrinhas básicas da educação, existentes desde os tempos dos nossos avós, de forma geral, continuam as mesmas. Saber ouvir e saber falar, dando o exemplo à criança é fundamental. O que é necessário é adaptá-las ao contexto atual em que a criança vive.
Hoje, dar limites aos filhos não é simplesmente dar umas palmadas, ou colocar de castigo. A noção de limite vai mais além. Envolve ensinar à criança o respeito ao próximo; envolve questões de moral e ética que só se aprendem vivenciando, vivência esta que deve ser embasada em um diálogo aberto, franco, onde haja troca entre as partes. Onde as dúvidas e desejos da criança também sejam respeitados pelos adultos. Este, sim, é o melhor caminho para se indicar (e não impor) limites. E é a maneira mais saudável de relação entre pais e filhos.

* Gláucia S. Veigas de Macedo é Psicóloga

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Mulheres podem proteger a gravidez mesmo antes de engravidar

As mulheres podem proteger seus bebês mesmo que ainda nem estejam no plano dessas futuras mamães. Muitas mulheres nem sabem que existem maneiras seguras de evitar complicações antes mesmo de ver a barriga crescendo.
E uma ótima maneira de proteger um futuro filho é vacinando a mulher em idade fértil.
A vacinação em mulheres em idade fértil ou em tratamento de fertilidade é fundamental para prevenir as mulheres de algumas doenças, além de proteger futuros bebês de malformações ou até mesmo de um aborto espontâneo.
Sabe por que muitas mulheres não se atentam a esse importante aliado na gestação de um bebê? Porque muitos profissionais sequer abordam esse assunto com elas.
A Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva publicou um relatório em novembro de 2008 no jornal "Fertility and Sterility" relatando que menos de 60% dos médicos ginecologistas e obstetras pedem o histórico de vacinação de suas pacientes e apenas 10% prescrevem as vacinas indicadas para as mulheres em idade reprodutiva.
O recomendado é vacinar a mulher antes da gravidez. Há vacinas que não podem ser oferecidas para as mulheres grávidas. É preciso esperar pelo menos um mês entre a administração das vacinas com vírus vivos e a concepção.
Vacinas - Aqui estão algumas das vacinas indicadas para as mulheres em idade de reprodução. Saiba os riscos que a mulher poderá ter caso ela não seja vacinada contra determinadas doenças. Portanto, se cuide!
Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) – A mulher grávida que adquirir rubéola poderá causar malformações no feto, como surdez, catarata, glaucoma, problemas cardíacos e neurológicos.
Contra a varicela - Se o contágio for aos três primeiros meses de gestação, pode causar malformação do feto (abrangendo membros, órgãos e o cérebro) e até mesmo a morte dele. Caso a gestante contraia a varicela alguns dias antes do parto, o bebê tem grandes riscos de nascer com varicela neonatal.
Gripe – O risco de a gestante evoluir para uma pneumonia em conseqüência de uma gripe é cinco vezes maior. As mulheres que não receberam a vacina antes da concepção poderão se vacinar a partir do segundo trimestre da gravidez no período de maior circulação do vírus (inverno).
Tríplice bacteriana acelular para adultos – (dTap - difteria, tétano e acelular coqueluche) – Tanto mamães como todos que estão em volta do futuro bebê devem tomar a vacina para não transmitir para o pequeno. A coqueluche pode causar pneumonia, insuficiência respiratória aguda e convulsões levando à paradas respiratórias com risco de deixar sequelas mentais e motoras por falta de oxigenação do cérebro. Mulheres que receberam a dT há mais de dois anos podem tomar a dTap antes da gestação ou após o parto.
Hepatite A – Deve ser solicitado os testes sorológicos para verificar se a mulher é ou não imune à hepatite A. As suscetíveis devem ser vacinadas antes da gestação.
Hepatite B – A mulher portadora de hepatite B pode transmitir o vírus ao bebê durante o parto. Até 90% dos filhos das mães com hepatite B correm o risco de se tornarem portadores crônicos e ter seqüelas como cirrose e câncer hepático.
Pneumocócica 23 valente - É indicada apenas a mulheres que tenham doenças crônicas cardíacas, pulmonares, renais, diabetes, imunodeficiências e desprovidas de baço, pois estão mais propensas a doenças pneumocócicas invasivas.
Meningócica – No Brasil, a vacina meningocócica conjugada contra meningococo C tem sido recomendada em diversas regiões e é indicada principalmente a grupos de risco (falta de baço, imunodeficientes) ou durante surtos e epidemias, para maiores de dois anos de idade.
Estando com o calendário de vacinação em dia, mamãe está privada contra doenças que são prejudiciais a si e ao seu bebê, não expondo seu bebê ou futuro bebê ao risco de contrair alguma dessas doenças que podem ser fatais.

* Fonte: guiadobebe.com

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Tempo de catapora, proteja-se!!

A varicela é uma infecção causada pelo vírus varicela-zoster, também conhecida como catapora. É uma doença não letal em crianças saudáveis, apesar de ser muito desagradável, com necessidade de afastamento das atividades normais por até 10 dias, devido a alta contagiosidade.
Esta doença é mais severa em adolescentes e adultos e pode causar complexidade em pessoas com sistema imunológico baixo. É importante mencionar, que a infecção durante a gravidez pode resultar má formação congênita, e até mesmo morte do bebê.
Ela é transmitida através da inalação de gotículas que contêm o vírus varicela zoster presentes no ar. Antes de surgirem as lesões de pele a pessoa já está transmitindo o vírus, principalmente em ambientes como creches escolas. O isolamento de uma pessoa infectada ajuda a evitar a transmissão da infecção para aquelas que ainda não tiveram a varicela.
Os sintomas começam 10 a 21 dias após a infecção, sendo inespecíficos e leves nos primeiros 2 a 3 dias, com febre moderada e uma sensação de mal estar. Aproximadamente 24 a 36 após o início dos primeiros sintomas, surge uma erupção cutânea caracterizada por pequenas manchas avermelhadas e planas. Cada mancha torna-se elevada e se forma uma bolha cheia de líquido, pruriginosa e além de toda a pele ficar avermelhada, após a formação da crosta. Por volta do quinto dia param de surgir “manchas” novas. Logo no sexto dia, a maioria delas já formou crostas e quase todas desaparecem em menos de 20 dias.
Essas lesões podem aparecer no couro cabeludo, no interior da boca, no ânus, na vagina (nas mucosas, rompem rapidamente e formam úlceras que podem ser dolorosas). As úlceras também podem se formar nas pálpebras e nas vias aéreas superiores. A pior fase da doença geralmente dura 4 a 7 dias. Quando só existirem crostas, não há mais risco de transmissão.
Neste período as complicações que podem aparecer, são as infecções de pele de leve a graves. As lesões cutâneas causadas pela varicela podem ser infectadas por bactérias, causando erisipela, impetigo, entre outras, o que leva a necessidade de tratamento com antibióticos e dependendo do caso até internação.
Os casos leves da varicela exigem apenas um tratamento sintomático, como compressas molhadas com permaganato de potássio sobre a pele, que ajudam a aliviar o prurido (coceira) e previnem escoriações que podem disseminar a infecção e formar cicatrizes. Por conta do risco de infecção bacteriana, a pele deve ser lavada freqüentemente com água e sabão, as mãos sempre mantidas limpas. Quando ocorre uma infecção, existe a necessidade de administração de antibióticos.
Para se prevenir, As Sociedades Brasileiras de Imunização e de Pediatria recomendam a vacinação de todas as crianças, a partir de 12 meses de idade. Os adultos que não tiverem a doença, também devem ser vacinados. Crianças e adultos que já tiveram a varicela, não necessitam ser vacinados. O tratamento é realizado em duas doses, a primeira aos 12 meses de idade e a segunda entre 4 e 6 anos de idade. Na verdade, pessoas de qualquer idade podem ser vacinadas, com duas doses e intervalo mínimo de três a quatro meses entre elas.
Atualmente é indicado duas doses da vacina, sendo que uma dose é 95 a 98% eficaz na prevenção das formas graves de varicela. Observamos as crianças que são vacinadas no decorrer do tempo, e desde que a vacina tornou-se disponível, verificamos que um número considerável de crianças contraia a doença, mesmo que de forma branda. A partir daí passou a ser indicada a segunda dose para cobrir as eventuais falhas na resposta imunológica, diante da primeira dose.
É importante ressaltar, que existe um trabalho da Sociedade Brasileira de Pediatria junto com o Ministério da Saúde, para inclusão desta vacina no calendário básico vacinal a partir do próximo ano. Vamos torcer!!


* Dr. Abel Duarte Mello Júnior é Pediatra

Problemas gástricos - Dispepsia

A palavra dispepsia ( Dys = má; Pepsien = digestão ) deve ser utilizada para designar sintomas que parecem ter origem no estômago e duodeno, caracterizados por dor ou desconforto no epigástrio ( região correspondente à parte superior do abdome ). O termo desconforto significa uma sensação não dolorosa referida como peso, plenitude ( empachamento ), saciedade precoce, eructações ( eliminação de ar pela boca ), náuseas e vômitos. Esses sintomas podem ser ocasionados por doenças orgânicas como úlcera péptica, câncer do estômago, parasitoses intestinais, medicamentos, etc.
Em mais de 50% dos casos esses sintomas não podem ser atribuídos a alterações físicas estruturais ou de exames laboratoriais, caracterizando uma dispepsia não orgânica ou funcional. É mais freqüente em adultos jovens e nas mulheres. Os pacientes com dispepsia funcional podem apresentar episódios de pirose ( queimação retroesternal ). Quando este sintoma é freqüente é possível fazer 2 diagnósticos: dispepsia funcional e doença do refluxo gastro esofágico. Muitos apresentam ainda distúrbios psicológicos associados, desde depressão e ansiedade até quadros psiquiátricos mais graves.
É importante dizer que o diagnóstico de dispepsia funcional só pode ser firmado se os sintomas persistirem durante 3 ou mais meses. Aqueles que apresentam sintomas após alimentação de digestão difícil como feijoada, churrasco, rabada etc, não podem ser considerados portadores deste mal. A dispepsia funcional não ocasiona risco para a vida do paciente, nem evolui para doença grave, mas é um importante problema médico social, com conseqüências econômicas desastrosas relacionadas ao número de consultas médicas, do custo da medicação, ao absenteísmo no trabalho e às repercussões na vida social e familiar.
Muitos estudos demonstram um número maior de diagnósticos de gastrite por H pylori ( inflamação causada por esta bactéria ) nos pacientes com dispepsia funcional do que na população assintomática. A inflamação crônica do estômago seria uma causa capaz de provocar aumento de sensibilidade nos órgãos do aparelho digestivo facilitando o aparecimento de sintomas dispépticos. Se um paciente com gastrite por H pylori apresentar sintomas de dispepsia que desaparecem após o tratamento de erradicação dessa bactéria a dispepsia é do tipo orgânica e não funcional. Como a gastrite por H pylori e a dispepsia funcional são doenças muito freqüentes elas podem coexistir em um mesmo paciente.
O tratamento deste distúrbio deverá ser feito de acordo com os sintomas apresentados, podendo os medicamentos serem associados com a psicoterapia ou com a erradicação do H pylori, porém, o mais importante para a melhora definitiva dos sintomas está no uso de alimentos saudáveis, sem corantes ou conservantes, em uma alimentação com regularidade ( pelo menos de 4 em 4 horas ) e com maior cuidado na mastigação, evitar bebidas gasosas e/ou artificiais, utilizar as bebidas alcoólicas e alimentos condimentados com bastante critério, não fumar e, finalmente, organizar seus horários para que se possa ter tempo reservado para a alimentação e para a evacuação. Não existem fórmulas mágicas e nem medicamentos miraculosos. O bem estar digestivo como também na maioria das doenças depende do compromisso do paciente de adotar hábitos saudáveis e não se automedicar.

* Dra. Anelise Luderer - Gastroenterologista

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Tire suas dúvidas sobre a temida "Enxaqueca"

É de senso comum atribuir o nome enxaqueca a qualquer dor de cabeça de forte intensidade; porém, do ponto de vista médico o termo enxaqueca refere-se a uma forma específica de dor de cabeça (cefaléia), usualmente de forte intensidade e acompanhada de outros sinais e sintomas, menos valorizados pelos pacientes frente ao caráter dramático da dor de cabeça.
A enxaqueca é uma doença bastante freqüente na população adulta, acometendo entre 5 a 10% da população, com franco predomínio em mulheres 3 a 4:1, onde chega a afetar cerca de 20% desta população em idade acima da 2ª década de vida.
A enxaqueca é uma forma de doença que se caracteriza por crises repetidas de dor de cabeça, habitualmente, de forte intensidade, acometendo um lado da cabeça, agravada pela atividade física, associada a intolerância a luz ou som podendo ser acompanhada de náusea ou vômitos. As crises podem durar de 4 até 72 horas se não tratadas adequadamente. Sintomas conhecidos pelo nome de aura podem acompanhar o quadro de dor. Estes sintomas costumam se apresentar como flashes de luz (escotomas cintilantes), como falhas no campo visual ou imagens brilhantes em ziguezague.
O diagnóstico é fundamentalmente clínico, baseado nas características da dor, não requerendo qualquer exame complementar, salvo em situações especiais. Neste caso a atenção do especialista neurologista faz-se necessária.
Existe muita mística a respeito de fatores que possam desencadear crises. Entretanto o surgimento de crises pode ser desencadeado de diferentes formas em cada indivíduo. O importante para o paciente é descobrir se existem fatores desencadeantes de suas crises, de forma a evitá-los. Existem fatores mais comuns e que devem ser observados individualmente, como: estresse físico ou emocional, privação de sono ou dormir em excesso, certos alimentos ou bebidas como chocolate, vinho tinto, laranja, embutidos e enlatados, entre outros; período menstrual e mais.
O tratamento da enxaqueca deve ser baseado no grau de intensidade e freqüência das crises; tendo duas abordagens que são paralelas e coadjuvantes. Em primeiro lugar deve-se abortar a crise e em segundo prevenir nova. O tratamento abortivo da crise visa interromper, em poucos minutos, uma crise já iniciada; já o tratamento preventivo tem por objetivo reduzir a freqüência e intensidade das crises. As crises leves, que não interferem com as atividades da vida diária, podem ser abordadas com manobras não medicamentosas como repouso. Já as crises moderadas a graves, aquelas que interferem com a capacidade produtiva ou definitivamente incapacitam o paciente, de vem ter abordagem medicamentosa, orientada por médico. A escolha da melhor terapia é absolutamente individual e deve ser personalizada a partir de regras conhecidas pelos especialistas.

* Dr. Luiz Alexandre Cabral Pinto é Neurologista