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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

WORKAHOLICS – pessoas viciadas em trabalho

Workaholic é uma expressão americana que serve para designar uma pessoa viciada em trabalho. É um termo proveniente do alcoholic (viciado em álcool). Pode ser caracterizado como um fenômeno comportamental crescente nas organizações, com maior incidência em organizações que possuem uma cultura extremamente competitiva, com intensa exploração do potencial do colaborador e acelerado ritmo de trabalho.
Este tipo de pessoa geralmente não consegue se desligar do trabalho, mesmo nos momentos de folga. Ela sofre por gerar para si uma qualidade de vida muito ruim, advinda das pressões do dia-a-dia e de uma auto exigência exagerada. Este profissional, não raramente, pode apresentar insônia, mau-humor, sensação de impotência frente às dificuldades, manifestação de atitudes agressivas em situações de contrariedade, estresse, depressão.
O avanço tecnológico aparece como um forte colaborador para o surgimento deste tipo de comportamento. Internet, mensagens instantâneas por e-mail e celulares, fax, contribuem para que o individuo não se desligue de seu trabalho, permanecendo 24 horas online. O medo de fracassar é quase uma constante nas emoções cotidianas do workaholic. Este medo impulsiona o profissional a tentar sempre mais e melhores resultados, em uma busca sem fim por eficiência e eficácia. Muitos podem ser conduzidos ao excesso no trabalho por alguma compulsão interna, como para superar uma baixa auto-estima, por exemplo.
Os workaholics são aceitos e freqüentemente estimulados pela sociedade, que os vê somente como um trabalhador árduo tentando prover o melhor para si e sua família. Com o aumento da competitividade no mercado de trabalho, e da exigência desmedida de qualificação profissional, muitas pessoas se vêem na obrigação de atender indiscriminadamente às solicitações deste mercado , passando a, com o uso de um ditado popular, viver para trabalhar, e não trabalhar para viver.
Vale salientar a importância de não confundir trabalhar demais com ser viciado em trabalho. Algumas atividades demandam maior quantidade de tempo para sua execução, não necessariamente tornando o profissional um workaholic. Pessoas que trabalham demais podem ser capazes de distinguir as fronteiras entre a vida profissional e a pessoal, conseguindo realizar suas atividades “extra-trabalho” normalmente, enquanto os viciados em trabalho, em geral, não têm vida pessoal e não conseguem viver tranqüilamente fora do trabalho.
Há estudos que afirmam que existe uma versão mais saudável desse perfil, o worklover. Este profissional, mesmo trabalhando muitas horas por dia, consegue encontrar um equilíbrio entre trabalho e vida pessoal/lazer. Segundo Mendes (1999), a atividade profissional escolhida com base nas inclinações pessoais, proporciona melhores meios à sublimação. Isso se demonstra na criatividade, na inovação e na criação de oportunidades. Significa dizer que o prazer no trabalho consiste em um dos elementos fundamentais do equilíbrio psíquico, que cria identidade social. Resumindo, no worklover aparece um espaço comum entre a identidade individual e a profissional, sem que uma afete negativamente a outra.
O importante é que todos nós, profissionais, entendamos que a constituição da identidade profissional é, ao mesmo tempo, um processo individual e social. Nossas escolhas relacionadas ao trabalho derivam das experiências e interesses pessoais; resultam, também, da história de vida particular do indivíduo, de como se deram e se dão suas interações sociais e familiares, e dos conceitos e valores formados destas vivências. Para que a vida dentro do trabalho tenha sentido e significado para o sujeito, é necessário que a vida fora do trabalho também faça sentido. Atrelar prazer ao trabalho cotidiano pode levar o profissional a alcançar uma melhor qualidade de vida, além de ganhos significativos também financeiramente.

* Gláucia da Silva Veigas de Macedo é Psicóloga

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Opinião: Bullying - Brincadeira sem graça!

Bullyng é realmente uma “brincadeira sem graça”, e fica mais sem graça ainda se fecharmos os olhos para algo tão sério.
A prática de atos agressivos dentro das escolas, de apelidos a socos e pontapés, tem gerado medo e temor aos alunos na hora de ir para a escola.Infelizmente, isso não é novidade mas tem se agravado nos últimos anos. Paro para pensar o porquê de tanta agressividade! Sem escolha de escola, pública ou privada, sem escolha de classe social, e até mesmo de idade! Pasmem! Tudo pode estar iniciando no pré-escolar e muitas vezes deixamos de lado este momento. Crianças agressivas chegam à sala de aula e simplesmente são rotuladas como “o agressivo da turma” e fica por isso mesmo.
A prática destes atos agressivos, sejam eles através de apelidos ou de forma física geram na maioria das vezes a baixa da auto-estima, o isolamento, a depressão e podem chegar a pensamentos negativos de vingança.Vimos em noticiários o extremo de aluno armado entrar na escola e tirar a vida de colega por motivo banal.
Quanto aos maiores, acham “bonito ser feio”! Isso mesmo, o que era para ser o errado por estar desrespeitando o próximo passa a ser “o tal”, líder da galera! Não só ao colega da turma mas amedronta e agride até mesmo o professor.
A escola precisa estar alerta e não fechar os olhos para tais acontecimentos e em parceria com a família resolver o problema o mais rápido possível.
A primeira sociedade em que o individuo é inserido é a família, que deve ser o seu porto seguro. A super-proteção, o achar que “meu filho não erra” (ser o perfeitinho não é fácil, não é mesmo criança!), os presentes sem motivo ou seja, simplesmente porque comprar é mais fácil que dar tempo com qualidade. Ser extremista isto é, autoritário ou permissivo. Falta de limites, saber dizer NÃO e SIM. Enfim chego a falta de regras. Uma regra básica de sobrevivência a ser ensinada aos nossos filhos é o respeito e amor ao próximo, e para isso acontecer :SER EXEMPLO.
Um valoroso Provérbio de Salomão deixo para meditação de pais e educadores: “Ensina a criança no caminho em que deve andar,e, ainda quando for velho não se desviará dele.” (Provérbios 22:6); ensinar é enculcar, colocar valores na cabeça de nossos alunos e filhos. No caminho, não é simplesmente apontar - é por ali- é caminharem juntos. E quando for velho não se desviará porque o nosso bom exemplo será seguido.

* Elisana Thuler Schuwarte Silva é Pedagoga

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Depressão: a doença do século!

A forma como percebemos e sentimos os acontecimentos de nossa vida influencia sobre o modo como nos comportamos no nosso dia-a-dia. E para que possamos processar as informações e acontecimentos que chegam até nós, é preciso tempo.
Contudo, atualmente, pela própria facilidade tecnológica e pela possibilidade de comunicação veloz de um canto a outro do planeta, somos constantemente “bombardeados” de estímulos (prazerosos e desagradáveis), que não temos tempo de processar, de “digerir”.
A correria dos tempos modernos não cansa somente o nosso corpo, mas especialmente nossa mente. E nem sempre estamos preparados para encarar e resolver com a destreza necessária os problemas que surgem. Frente a estas frustrações, de alguma forma nosso psiquismo e nossa vida emocional é afetada, tornando-se campo fértil para emergência da depressão. Nas últimas décadas do século XX, constatou-se um grande aumento da incidência da depressão em todo o mundo, fazendo com que esta alcançasse o status de “a doença do século”. A partir disso, as pesquisas sobre a base biológica da depressão se intensificaram, bem como ocorreram grandes avanços na terapia medicamentosa e na produção farmacêutica de psicotrópicos.
Contudo, mesmo com essas novas descobertas e possibilidades de tratamento, não há evidências de redução da prevalência da depressão na população mundial. Com certeza um dos argumentos que justificam esta não-redução encontra-se no fato de a depressão ser uma doença de causas múltiplas e que, portanto, para ser bem tratada (e até mesmo prevenida), torna-se necessário fazer uma avaliação biológica, psicológica e social do indivíduo.
De forma geral, e com base no modelo cognitivo da depressão, esta apresenta alguns sintomas psicológicos característicos, manifestos nos comportamentos e nas atitudes do sujeito deprimido.
A pessoa tende a ver a si mesma, seu futuro e seu ambiente social e de experiências de forma negativista. Ela subestima-se em sua auto-avaliação, considerando-se inadequada, sem valor. O sujeito deprimido vê obstáculos insuperáveis para atingir suas metas e, por isso, deixa mesmo de traçar metas. Qualquer tentativa frustrada em realizar algo é encarada como derrota e, pensando no futuro, antecipa um “possível” sofrimento, visto que já espera que o porvir também será de frustrações e dificuldades.
Seus pensamentos negativistas influenciam em sua motivação, levando a uma “paralisia” da vontade, a desejos de fuga e de evitação frente a situações que considera ameaçadoras. A pessoa torna-se mais dependente (por não se considerar apta a alcançar sucesso em suas tarefas), buscando auxílio de outras pessoas que entende como sendo mais capazes que ela própria.
Observa-se que não se trata de tristeza. É claro que os sentimentos de tristeza e desânimo acompanham toda a trajetória da depressão. Hoje em dia, é comum escutarmos pessoas dizendo “hoje eu acordei meio deprimido.” Mas não é correto.
A tristeza na depressão é uma emoção muito mais intensa e duradoura, e nem sempre vem associada a algum acontecimento específico. A tristeza, emoção natural em qualquer ser humano, é momentânea e relacionada a algo desagradável à pessoa. Resolvida a situação que levou à tristeza, ou simplesmente voltando-se para outras atividades mais prazerosas, ela tende a desaparecer.
Por ser uma doença intensa, e que afeta os diversos níveis da vida do sujeito, e fundamental que se faça um acompanhamento terapêutico profissional. Atualmente, temos medicações que sintomas depressivos, proporcionando ao paciente uma melhor disposição em realizar suas atividades diárias.
Entretanto, e primordial trabalhar no paciente as causas psicológicas e sociais de sua depressão, bem como instrumentalizá-lo com habilidades psicossociais de enfrentamento e manejo de situações consideradas estressantes e ameaçadoras, que poderiam levar o paciente a um novo estado depressivo. Um acompanhamento com um profissional da psicologia é extremamente adequado neste caso.
Acima de tudo, o importante é que o paciente compreenda que há tratamento para a depressão, e que seu meio familiar e/ou social colabore neste processo. O apoio das pessoas significativas na vida do paciente deprimido gera um sentimento de segurança e confiança que, consequentemente, atuará na melhora da autoestima do sujeito, e em um tratamento mais eficaz.

* Gláucia Veigas é Psicóloga

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Babá: Uma segunda mãe!

A criação e a educação dos filhos sempre foi tema de grande preocupação entre pais e professores. De uma forma geral, diz-se que cabe aos pais a tarefa de educação moral e da transmissão de valores sociais. À escola, caberia a função de educação formal.
Contudo, frente às grandes transformações pelas quais nossa sociedade passou nas últimas décadas, estes papéis precisaram ser revistos e reformulados. Com a crescente inserção da mulher no mercado de trabalho, cada vez mais as responsabilidades têm sido compartilhadas entre os envolvidos – família e escola.
Mas precisamos ressaltar um fato interessante: nem todos os pais e mães desejam colocar seus filhos ainda pequenos em uma creche para poderem voltar às suas atividades após o período de licença maternidade. Surge, então, uma alternativa, um novo agente neste processo: a babá.
A babá assume um papel de vital importância neste contexto: este profissional se responsabiliza pelos cuidados básicos em relação à criança – alimentação, higiene, lazer, descanso - mas não é nem o pai, nem a mãe dela (ou seja, sua responsabilidade não é a mesma. Ou pelo menos não deveria ser!).
Na realidade, a babá, muitas vezes, passa mais tempo com a criança do que os próprios pais. Ela se torna uma importante referência de conduta da criança em desenvolvimento. Sendo assim, torna-se necessário que algumas questões sejam muito bem observadas pelos responsáveis para que não haja riscos e problemas nesta relação tão íntima entre criança-babá-família.
Primeiramente, uma idéia NUNCA pode ser esquecida: a babá não é a mãe daquela criança. Ou seja, os pais como figura de autoridade devem exercer este papel eficientemente. São os pais que ditam as “regras do jogo”, o que pode e o que não pode, como e quando as coisas devem ser realizadas. É claro que o mínimo de autonomia deve ser permitida para que a babá possa agir de maneira mais natural, até mesmo porque bebês e crianças não são robôs pré-programados!
Segunda idéia a ser lembrada: o que importa é a qualidade do tempo que os pais disponibilizam para seus filhos. Aproveitar ao máximo o pouco tempo para brincar, estudar, demonstrar interesse pelos assuntos e preocupações da criança. Quando os pais não fazem isso, a babá se torna ainda mais a referência sobre como agir, e isso, em doses elevadas, pode escapar ao controle dos responsáveis.
Além disso, tanto a babá quanto os pais devem saber que existem duas palavrinhas que norteiam nossas atitudes em relação às pessoas ao nosso redor: afinidade e empatia. Ou seja, se a criança manifesta grande apego em relação à babá, sente falta e chama por ela nos finais de semana, isso não é motivo para ciúmes. Muito pelo contrário: que bom, a criança criou um vínculo de confiança com aquela pessoa que passa horas por dia com ela!!! As vezes, acontece da criança chamar a babá de mãe... Aí dá aquele nó na garganta da mãe, que sente como se estivesse perdendo seu lugar... O importante é mostrar à criança, com todo o carinho do mundo, que a mãe de verdade é você, mas ressaltando que a babá pode ser uma segunda mãe, que ajuda a primeira quando ela não pode estar presente. De maneira alguma repreender o filho por demonstrar tanta consideração com a babá – ele também é grato a ela pelo carinho!
Um outro aspecto que é importante abordar quando se fala de babá é o cuidado com a escolha deste profissional. A babá entra na casa da família e cuida do bem mais precioso – o filho. Sendo assim, nunca é demais: buscar referências antes da contratação; conversar bastante com a candidata sobre assuntos variados, para tentar identificar um pouco sua maneira de pensar; investigar inclusive suas habilidades domésticas (para que não coloque toda a família e a casa em risco de acidente!) - algumas profissionais fizeram cursos de babás, o que pode ajudar bastante na escolha. Sempre que possível, deixar alguém em casa (avó, tia, vizinha) para observar como anda a rotina quando os responsáveis estão fora. Até mesmo fazer uma “visitinha surpresa” é interessante para se certificar se tudo vai bem.
Acima de tudo, pais e babá (e a escola também) devem procurar falar a mesma linguagem para que estas referências sejam consistentes entre si, permitindo à criança o contato com uma base sólida para seu desenvolvimento saudável.
Todos os envolvidos devem trabalhar em equipe, para que os resultados sejam positivos: uma criança alegre, espontânea, educada e saudável, que se tornará um adulto cidadão do mundo, auto-confiante e responsável. Isso é um compromisso de todos!

* Gláucia S. Veigas de Macedo é Psicóloga

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Transtorno Afetivo Bipolar

As descrições do que chamamos hoje transtornos do humor têm sido feitas desde a antiguidade, podendo ser encontradas em muitos textos antigos. Em 1899, o psiquiatra alemão Emil Kraepelim, elaborando sobre conhecimentos de psiquiatras franceses e alemães anteriores, descreveu a Psicose Maníaco-Depressiva, que continha a maioria dos critérios diagnósticos utilizados atualmente para o estabelecimento do Transtorno Bipolar. Atualmente, este nome não é mais utilizado, principalmente porque nem todas as pessoas acometidas pela doença apresentam sintomas psicóticos, ou seja, a perda do limite de realidade. Trata-se de uma doença caracteristicamente do humor.
O humor pode ser normal, elevado ou deprimido. Todos nós experimentamos alterações no humor, os chamados "altos e baixos", com suas igualmente variadas expressões afetivas. Nos transtornos do humor, perde-se o senso de controle dos humores e afetos. Acometem homens e mulheres na mesma porporção, podendo ter início da infância (5 ou 6 anos) aos 50 anos, ou mesmo depois (em casos raros), com uma idade média de 30 anos. Sua causa é desconhecida, estando envolvidos fatores genéticos, biológicos e psicossociais.
A principal característica da doença é a alternância de estados distintos de humor, como a depressão e a mania, intercalados por períodos onde o humor é predominantemente normal. Podem também ocorrer estados mistos (presença simultânea de sintomas depressivos e maníacos) e sintomas psicóticos. Os pacientes na fase depressiva apresentam perda do interesse, da energia, sentimentos de culpa, dificuldades de concentração, alterações do apetite, idéias suicidas e até tentativas, nos casos mais graves. Os pacientes na fase maníaca (ou seja, com humor elevado) mostram sintomas contrários (daí o termo "bipolar"): expansividade, euforia, auto-estima elevada, aumento da energia, da sexualidade e com pouca necessidade de dormir. O pensamento se torna acelerado, mudam de um assunto para outro rapidamente, tornam-se compulsivos, fazendo compras e gastos excessivos. Sintomas como agressividade, irritabilidade e impulsividade são comuns. Os sintomas psicóticos, quando presentes, são relacionados ao humor vivido pelo paciente, podendo ser idéias de ruína (na fase depressiva) ou de grandeza (na fase maníaca). Neste caso, é comum pacientes julgarem-se pessoas importantes, donos de grandes empresas, artistas, ou detentores de poderes especiais.
O Transtorno Bipolar pode ser dividido em tipos I e II, com ou sem sintomas psicóticos. O tipo I é o tipo clássico, onde há alternância entre episódios maníacos e depressivos. Já no tipo II, há alternância entre episódios hipomaníacos e depressivos. A hipomania é uma alteração do humor semelhante à mania, porem, com menos intensidade.
Não há exames específicos para a determinação do diagnóstico, que é essencialmente baseado no exame psiquiátrico detalhado. Devem ser pesquisados e excluídos o uso de substâncias, como medicações para emagrecer, alcoolismo e abuso de drogas ilícitas, como a causa da alteração do humor, mas podem ocorrer paralelamente, no que chamamos de comorbidade.
É de extrema importância frisar que a carência de lítio não é uma das causas do transtorno bipolar nem de depressão, como muitas pessoas pensam. O lítio é um mineral presente na natureza e em nosso organismo seus níveis são muito pequenos, geralmente indetectáveis. Por mecanismos de atuação ainda desconhecidos, descobriu-se que sua administração no Transtorno Afetivo Bipolar e em determinados tipos de depressão é benéfica, devendo a medicação ser dosada regularmente no sangue, para que o psiquiatra possa determinar se seu nível encontra-se na faixa terapêutica, ou seja, num valor considerado seguro e eficaz para a estabilização do paciente.
O tratamento dos transtornos do humor deve ser dirigido para vários objetivos: garantir a segurança do paciente (em alguns casos, a hospitalização é indicada), uma completa avaliação diagnóstica e um plano de tratamento que aborde não apenas os sintomas imediatos, mas também o bem-estar futuro do paciente. O psiquiatra deve integrar a farmacoterapia com intervenções psicoterapêuticas. Os estabilizadores do humor, antipsicóticos e antidepressivos são largamente utilizados, com resultados positivos tanto no tratamento da fase aguda quanto na manutenção, sendo esta de extrema importância na prevenção de recaídas.
Os muitos estudos sobre os transtornos do humor chegaram à conclusão geral de que o prognóstico tende a ser benigno em grande parte dos casos, o curso a ser longo, e que os pacientes chegam a apresentar recaídas. O acompanhamento médico regular, a conscientização e o entendimento da dinâmica da doença tanto pelo paciente quando pela família, bem como a observação dos sintomas de uma possível recaída são fundamentais. Com estas medidas, muitos pacientes com Transtorno Afetivo Bipolar conseguem se manter estáveis durante longos períodos, obtendo níveis satisfatórios de sua produtividade e vida social e familiar.


* Dr. Adriano Gannam Rodrigues da Cunha é Psiquiatra

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Namorar faz bem!

 Entenda o que melhora na saúde de quem dá e recebe afeto



Existem alguns aspectos em nossa vida que fazem parte do que chamamos de 'desenvolvimento saudável' do ser humano. Cuidados com a saúde, como alimentação equilibrada e atividades físicas, momentos de lazer, moradia e acesso aos recursos de saúde (prevenção e tratamento), a qualidade de nossos relacionamentos interpessoais e familiares. Enfim, podemos citar diversas situações e atitudes que propiciam um desenvolvimento físico, mental e social saudável do ser humano. Entre estes aspectos, destacamos os relacionamentos afetivos, em especial o de caráter sexual.


O caráter sexual dos relacionamentos não diz respeito unicamente ao sexo em si; mas a qualquer relação envolvendo duas pessoas em que há uma troca afetiva e um interesse mútuo, e que dê prazer às pessoas envolvidas, ou seja, que esta relação de alguma forma satisfaça ambas as partes em seus interesses. E, aqui, vale fazer uma ressalva: vivemos em um tempo em que tudo se dá de maneira muito rápida e intensa, o que se reflete em nossos relacionamentos. Contatos superficiais emocionalmente, mas repletos de intimidade física são cada vez mais comuns, e cada vez mais precocemente observados.
Contudo, quando nos deixamos levar pela impulsividade dos tempos modernos, consequentemente perdemos a oportunidade de usufruir do melhor que o contato com outra pessoa pode nos proporcionar – por exemplo, o contato pele-a-pele e olho-no-olho do namoro tradicional, não “virtual”.
Em geral, o namoro é o momento de nossas vidas que nos permite realizar as mais intensas trocas afetivas. É quando nos abrimos emocionalmente para o outro, e nos deparamos com os sentimentos desta outra pessoa, diferente de nós, o que exige uma certa maturidade para que este relacionamento dê certo. Se não há tal maturidade, ela precisa ser desenvolvida, o que é ótimo para nossa vida social como um todo, na medida em que no nosso dia-a-dia, encontraremos indivíduos que pensam e agem das mais diversas maneiras, e com os quais não podemos simplesmente “romper” como fazemos em um namoro.

Além do benefício “maturidade emocional”, vários estudos indicam que o namoro é muito benéfico à saúde física e psicológica do sujeito. Quando a união é de cumplicidade e respeito (pois sabemos que há exceções!), o namoro diminui o estresse cotidiano. Como o estresse tem estreita ligação com nosso sistema imunológico, menos estresse significa imunidade em alta, e mais disposição para a realização de nossas atividades. Pesquisas demonstram que o simples toque do companheiro(a), sujeito que transmite confiança, é capaz de ativar reações neurológicas que reduzem, por exemplo, o medo e a ansiedade em face de situações ameaçadoras ou dolorosas.
Sendo assim, um namoro saudável, em que há troca afetiva baseada na cumplicidade e no diálogo, aumenta a auto-estima dos 'enamorados', reduz o estresse e as tensões provenientes da rotina diária, auxilia no controle da ansiedade e nos dá segurança para enfrentar situações adversas que possam surgir repentinamente. Namorar é bom, e faz bem!

* Gláucia da Silva Veigas de Macedo - Psicóloga e Especialista em Desenvolvimento Humano

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Amizade só faz bem à saúde!

Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), o conceito de saúde vai além do tratamento de doenças. Ter uma boa amizade, por exemplo, baseada no respeito mútuo e na solidariedade, faz muito bem à saúde. Isso porque as relações sociais ajudam a superar as dificuldades da vida.


• Afinal o que é amizade?

Amizade (do latim amicus; amigo, que possivelmente se derivou de amoré; amar, ainda que se diga também que a palavra provém do grego) é uma relação afetiva, a princípio sem características romântico-sexuais, entre duas pessoas. Em sentido amplo, é um relacionamento humano que envolve o conhecimento mútuo e afeição além da lealdade.

A amizade pode ter como origem, um instinto de sobrevivência da espécie, com a necessidade de proteger e ser protegido por outros seres. Alguns amigos se denominam “melhores amigos”. Muitas vezes os melhores amigos se conhecem mais que os próprios familiares e cônjuges, funcionando como um confidente. Para atingir esse grau de amizade, muita confiança e fidelidade são depositadas.

Muitas vezes os interesses dos amigos são parecidos e demonstram um senso de cooperação. Mas também há pessoas que não necessariamente se interessam pelo mesmo tema, mas gostam de partilhar momentos juntos, pela companhia e amizade do outro, mesmo que a atividade não seja a de sua preferência.

A amizade é uma das mais comuns relações interpessoais que a maioria dos seres humanos tem na vida. Em caso de perda da amizade, sugere a reconciliação e o perdão. Carl Rogers diz que a amizade “é a aceitação de cada um como realmente ele é”.

Estudos indicam que permanecer isolado socialmente pode acarretar alterações significativas em nossa saúde, pois essa condição tem sido relacionada à depressão, diminuição do sono e da capacidade cognitiva, doença de Alzheimer e até mortalidade.

A solidão está também associada ao aumento da pressão sanguínea, das atividades do hipotálamo da glândula pituitária e do córtex adrenal (vinculados ao hormônio do estresse, o cortisol) alterações no sistema imunológico, arteriosclerose, diabetes, inflamações e contrações nos vasos sanguíneos.

O órgão que mais sofre com a solidão é o coração. Viver só é condição de risco que leva à resistência da circulação sanguínea do sistema cardiovascular, causada por inflamações decorrentes do excesso de cortisol no organismo. O Alcoolismo, sedentarismo e obesidade aparecem igualmente na lista dos males de quem vive só. Uma pesquisa realizada por Louise Hawkley, diretora e pesquisadora do laboratório de Neurociência Social, do departamento de Psicologia da Universidade de Chicago, nos EUA, mostrou que o remédio para prevenir essas enfermidades é manter um círculo de amizades ou estar inserido em algum grupo social.

A pesquisadora Louise Hawkley diz “ter muitas amizades não é necessariamente mais benéfico do que possuir apenas um bom amigo”. Cada pessoa difere em suas necessidades e, por isso, alguns indivíduos precisarão apenas de um amigo para se sentirem satisfeitos. Outros estarão mais à vontade se puderem contar com um número maior de amizades.

Neste sentido, devemos procurar se relacionar com outras pessoas, talvez tomando iniciativa de oferecer ao outro um gesto ou ma palavra gentil, quem sabe por meio de um trabalho voluntário. Esta atitude pode não levar necessariamente a uma amizade a longo prazo, mas traz a sensação de bem estar pelo simples fato de estar com outras pessoas.

O próximo passo seria desenvolver um plano de ação: saber que tipo de amizades você deseja e, só então, projetar como fará para chegar até elas. “isso inclui pensar sobre os tipos de problemas ocorridos no passado com suas amizades, procurando aprender, formas de evitar essas dificuldades no futuro”. Ser honesto consigo mesmo sobre as mudanças pessoais que devem ser feitas, tentando ser positivo e abrindo-se aos outros, estando pronto para recomeçar, caso não tenha sucesso na primeira vez.

O terceiro passo é selecionar os amigos cuidadosamente. A melhor forma de avaliar a solidão é com o apoio de amizades de qualidade. Com certeza você terá mais sucesso se procurar por alguém que possua crenças semelhantes às suas e esteja no mesmo estágio da vida que o seu.

A quarta e ultima ação é esperar o melhor. Uma atitude positiva, paciência, e um espírito generoso trarão os outros até você e aumentarão suas expectativas positivas.

Outro estudo realizado na Austrália confirma as conclusões da pesquisadora americana. O levantamento foi realizado pelo Centro do Envelhecimento da Universidade de Flinders, onde se concluiu que ter amigos está ligado à longevidade: pessoas com uma boa rede de amigos e confidentes vivem 22% mais tempo do que aqueles que se isolam. A pesquisa australiana revelou que a família é importante, mas sua influência para a saúde não é tão grande como a dos amigos.

A explicação para isso estaria no fato de que são eles nossos maiores incentivadores para nos cuidarmos melhor, parar de fumar ou beber e procurar ajuda médica diante de algum sinal físico importante. Além disso, são os amigos que estão por perto para ouvir e ajudar a enfrentar os momentos difíceis, muitas vezes vividos dentro da própria família.

Sendo assim, a mensagem central é que manter um senso de sociabilidade entre amigos aparece como fator relevante à sobrevivência.


“A cada dia que vivo, mas me convenço que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional”.


Carlos Drummond de Andrade



*Adriane G. Henriques é Psicóloga