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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Acne: Mitos e Verdades

Acne é uma doença que atinge a unidade pilossebácea levando a formação de seborréia e lesões na face e no tronco. Normalmente acomete com mais frequência a face, o dorso e o tórax, por apresentar, nessas áreas, um maior número de glândulas sebáceas. Aparece geralmente no início da adolescência, podendo chegar até a terceira década de vida, sem predileção por sexo. Acomete normalmente aqueles jovens que herdaram dos pais esta característica.
Os fatores que contribuem com a formação da acne são basicamente o caráter hereditário e a alteração hormonal que ocorre na adolescência hormonal que ocorre na adolescência, sem caracterizar um distúrbio hormonal. Fora do período da adolescência, pode-se desconfiar de algum distúrbio hormonal ou ser causa exógena, como pessoas que trabalham em contato com graxas, óleos e derivados, ou uso de cosméticos muito gordurosos por exemplo. Pode ser causada também por alguns medicamentos e exposição solar intensa. Esta última contribui para piora das lesões, provocando mais obstrução dos poros e da secreção sebácea. Porém a exposição solar moderada em horários apropriados pode ajudar a melhorar as lesões (por ações dos raios ultravioleta).
O quadro de acne é classificado da seguinte forma: grau 1 inflamação; grau 2-apresenta cravos, mas predomina as pápulas inflamatórias (bolinhas vermelhas com ou sem pus); grau 3 – presença de cravos, pápulas com importante reação inflamatória, cistos e abcessos; e grau 4: todas as lesões anteriores, com intensa reação inflamatória e cicatrizes profundas.
Os quadros são a acne grau 1, como citado anteriormente, e são classificados em abertos e fechados, ou seja, os abertos são bolinhas amareladas no qual poro não está dilatado, e os fechados são aqueles em que se observa o poro aberto com ponto central. O cravo fica preto devido ao processo de queratinização da pele.
Não se deve espremer espinhas e cravos porque aumenta o dano tecidual com formação de manchas e cicatrizes e, consequentemente, a reação inflamatória.
A influência da alimentação não se confirma com estudo científico, mas aquelas pessoas que “afirmam” sofrer influência da alimentação, nós apenas aconselhamos a evitar tais alimentos.
É muito importante que a pele acneica seja limpa corretamente, mas não intensivamente. A limpeza excessiva da pele pode causar “efeito rebote”, ou seja, provocar aumento da secreção sebácea. A limpeza deve ser feia com produtos apropriados, indicados pelos dermatologistas, ou feito por pessoas treinadas (limpeza de pele). A limpeza de pele frequente contribui para acelerar o processo de melhora.
Os anticoncepcionais, que possuem em sua composição o acetato de ciproterona, podem auxiliar no tratamento da acne, principalmente em mulheres que apresentam distúrbios hormonais e síndrome do ovário policístico. Mas só vão ajudar nestes casos.
Todo paciente com acne necessita de cuidados médicos, mesmo que seja por questões estéticas. O tratamento no início da doença permite um controle mais adequado da acne e evita a formação de manchas e cicatrizes que são de difícil tratamento.
Existem atualmente muitos tratamentos para acne, de todas as suas formas. O tratamento de cura de acne mais recente, é a isotreitinoína e é indicado m três situações: acne grave grau 4, acne cicatricial e acne persistente (que já realizou vários tratamentos sem controle das lesões). Esta medicação possui efeitos colaterais, sendo o mais grave a malformação fetal, ou seja, durante o tratamento a paciente, em hipótese alguma, poderá ficar grávida. Este efeito, porém, ocorre apenas no período de tratamento e após três meses de término da medicação, a mesma poderá engravidar sem nenhum risco. Há então, a necessidade de selecionar os pacientes que irão usar a medicação, já que estamos falando de jovens (faixa etária sexualmente ativa ou iniciando uma atividade sexual, muitas vezes sem utilizar métodos contraceptivos). Há também necessidade de controle de outros efeitos colaterais através de exames laboratoriais. Mas a fantásticos e é sempre muito bem tolerada por quem utiliza.
Na maioria dos casos utilizamos tratamentos ditos “paliativos”, com muito menos efeitos colaterais e também com excelentes resultados, já que sabemos que a acne pode melhorar a partir da segunda década de vida.
Existem tratamentos que melhoram substancialmente as cicatrizes, inclusive algumas técnicas cirúrgicas, mas as cicatrizes mais profundas e muito extensas são muito difíceis de tratar.
É importante salientar que pessoas de pele acneica não podem usar qualquer tipo de cosmético. Este deve ser indicado pelos dermatologistas, porque, na maioria das vezes, um cosmético mal indicado pode provocar piora nas lesões ou frustrar um tratamento que poderia dar certo com medicação adequada.

* Dra. Cynthia Furtado é Dermatologista

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Estrias na gravidez. Existe maneira de evitá- las?

Durante o processo da gravidez, encontramos importantes modificações endocrinológicas, metabólicas, imunológicas e vasculares as quais só são toleradas por nosso organismo durante este curto período de tempo e provocam na pele alterações tanto patológicas quanto fisiológicas (naturais do nosso organismo). E apesar de fazerem parte das alterações fisiológicas na gravidez, as estrias não deixam de ser motivo de angústia para as gestantes que as tem e o temor das que não tem.
Acometem cerca de 70 a 90% das gestantes, principalmente após a 24 semana de gravidez, surgindo nas áreas de maior tensão da pele, como abdômen, mamas, braços e dorso. Porém, não só a distensão da pele, mas também a ação hormonal são causadoras delas. Em relação á distensão da pele, são fatores causadores para formação das estrias, não só o excesso de peso de alguns bebês como também de algumas mães.
As estrias são lesões em forma de linhas que aparecem paralelas umas as outras e podem ter alguns centímetros de comprimento. Inicialmente são avermelhadas ou róseas e ao final da gravidez e também no pós parto, tendem a melhorar seu aspecto e sua coloração passando para uma tonalidade esbranquiçada. A pele na área afetada tem consistência frouxa devido a degeneração das fibras elásticas a nível da derme (camada intermediária da pele), causada pela distensão desta pele.
Devemos lembrar também que as estrias fazem parte da herança familiar de algumas mulheres. Estas, por exemplo, necessitam de pouca distensibilidade de pele para manifestarem as temidas estrias. Outras as que não possuem este fator familiar podem passar por situações de grande distensibilidade de pele como a gravidez e até com ganho excessivo de peso nesta fase e passarem imunes as estrias.
Todos os tratamentos disponíveis hoje em dia, tanto os ambulatoriais,como as intervenções visam promover a melhora visual das estrias, ou seja, estas são irreversíveis e os tratamentos apenas visam fazer com que aquele tecido acometido tenha uma característica próxima a de uma pele normal.
Dentre os tratamentos disponíveis temos os ácidos domiciliares, peelings, intradermoterapia, laser, dermoabrasão, carboxiterapia entre outros. Alguns com melhores e outros com piores resultados. Porém, nenhum deles indicados durante a gravidez.
Para a prevenção das estrias durante a gravidez, deixo algumas dicas, principalmente para aquelas com herança familiar importante:

1) Alimentação saudável e balanceada para se evitar o ganho excessivo de peso. De preferência com acompanhamento de uma nutricionista.
2) Beber em média 08 copos de água por dia para promover a hidratação interna.
3) Evitar banhos quentes que ressecam a pele.
4) Usar de cremes e loções hidratantes visando evitar o ressecamento desta pele. Existem hoje em dia, formulações industrializadas específicas para gestantes com ativos antiestrias, com efeitos antiinflamatórios, calmantes e cicatrizantes.

Lembrando que os óleos muitas vezes usados, são apenas lubrificantes e não tem nenhum efeito comprovado na prevenção das estrias.
Seguindo estas dicas importantes, certamente a gestante fará desta fase, um universo de experiências inesquecíveis.

* Dra. Simone de Carvalho Reis Barreiros é Dermatologista

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Unhas Frágeis

A síndrome das unhas frágeis é uma queixa comum, caracterizada plo aumento da fragilidade das lâminas ungueais. Afeta quase 20% da população geral, sendo mais comum m mulheres. Mesmo sendo tão usual e afetando os pacientes de maneira importante em seu cotidiano, o tratamento das unhas frágeis avançou pouco nas últimas décadas.
Para a maioria dos pacientes o incômodo é primordialmente estético, mas muitos também se queixam de dores, além de dificuldades nas atividades cotidianas e laborais.
Sua gravidade varia desde leve descamação da borda até perda total borda da unha.
Um mito que vem sendo paulatinamente desmentido é o que admitia que a resistência ungueal é devido à quantidade de cálcio. Hoje sabe-se que o enxofre é mais importante para a resistência ungueal do que o cálcio.
A exposição a agentes químicos (solventes, ácidos, sais, etc ), alguns cosméticos (formaldeído), fungos e traumas repetitivos (digitação) podem interferir na resistência das unhas. Além disso, esses fatores parecem atuar de maneira cumulativa, determinando maiores alterações ungueais com a maior exposição ao longo do tempo. Outro fato a salientar é que unhas de idosos têm maior suscetibilidade para unhas frágeis.
O desenvolvimento ungueal também pode estar comprometido por alterações primordiais em sua formação, como intoxicação por arsênico, hipotireoidismo, hipertireoidismo, diabetes, gravidez, anorexia, bulimia, deficiências circulatórias, uso abusivo de removedores de esmalte, anemia, sarcoidose, infecções crônicas, policitemia vera e outros.
Algumas doenças provocam alterações ungueais que se confundem com unhas frágeis, como psoríase, líquen plano, eczema, onicomicose e outros. Muitas das vezes a alteração ungueal é a única manifestação destas doenças, dificultando ainda mais o diagnóstico.
Alguns cuidados auxiliam no tratamento das unhas frágeis, como evitar contato frequente com substâncias químicas abrasivas. O tratamento com biotina é, atualmente, o melhor resultado, com melhora do quadro em até 67% dos casos.

* Dra. Cynthia Furtado é Dermatologista

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A tentação do BOTOX®!

Por que pessoas cada vez mais jovens utilizam esta técnica?

Botox® é o nome de uma toxina, produzida por uma bactéria chamada clostridium botulinum, a qual quando injetada nos músculos da face, causa uma paralisia temporária desses, impedindo o aparecimento das rugas de expressão. Isso acontece dessa forma porque ela bloqueia a liberação de acetilcolina, um neurotransmissor que leva as mensagens elétricas do cérebro aos músculos e assim, o músculo não recebe a mensagem para contrair.
Desta bactéria, são produzidos sete sorotipos diferentes: A, B, C1, D, E, F e G, sendo o sorotipo A reconhecido como o mais potente e duradouro em termos de sua ação que em média perdura por 04 a 06 meses.

O Brasil é o segundo no ranking mundial em aplicações de toxina, perdendo apenas para os Estados Unidos. Lembrando também que somos um dos campeões em cirurgias plásticas. Na verdade, Botox® é o nome comercial da primeira toxina botulínica comercializada, a qual é de origem americana sendo que também existem outras duas marcas comercializadas e liberadas pela ANVISA, que são o Dysport® vindo da Suécia e o Prosigne® da China. Lembrando que este ano, comemoramos 20 anos do uso estético do Botox®.

Dentre as aplicações terapêuticas de Botox®, citamos: estrabismo, blefaroespasmo, distonia, espasticidade, hiperidrose (suor excessivo), bexiga hiperativa e rugas de expressão.



- No caso do rosto, existem pontos específicos a serem aplicados:


• corrugador (ruga da preocupação);

• frontal (testa);

• orbicular dos olhos (pés de galinha);

• elevador do lábio (sorriso gengival);

• depressor do ângulo da boca (bigode chinês);

• mentoniano (queixo contraído); e

• sobrancelha (arqueamento).


• PONTOS DE APLICAÇÃO DE BOTOX® NO ROSTO



A duração de um Botox® varia em média 03 a 06 meses, dependendo da força muscular da área tratada, e o início de sua ação se dá em 48 a 72 horas, alcançando um pico máximo em 05 dias. Dor é uma sensação muito subjetiva, mas a maioria das pessoas sentem pouca dor na aplicação. Hematomas podem acontecer devido a aplicação, portanto, recomenda- se aplicar Botox® pelo menos 07 a 10 dias antes de um evento social.
Se antes a procura maior se dava em mulheres entre 40 e 50 anos, hoje essa faixa etária baixou para os 18 anos, e o motivo da procura entre pessoas cada vez mais jovens, consiste na busca cada vez mais cedo em prevenir o envelhecimento e marcas de expressão. Lembrando também da influência de celebridades que estampam as revistas de moda, forma física, cinema e fofocas com rostos cada vez mais lisos e muitas dessas admitindo ter lançado mão da técnica citada. Muitas dessas celebridades, por serem formadoras de opinião, acabam levando legiões de fãs aos consultórios médicos. Mas também, são essas mesmas celebridades que devido aos exageros em busca da imagem perfeita, assustam muitas pessoas que acham que o Botox® iria transformá-las em bonecos de cera ambulantes. Ou mesmo, atribuem erroneamente a culpa ao Botox® aos lábios, maçãs do rosto e outros perfis exagerados.



No caso da indicação estética, sabemos que usamos o Botox® para amenizar as rugas dinâmicas (rugas de expressão) no rosto. Não existindo uma idade muito específica para aplicação, lembrando que existem jovens com marcas de expressão faciais pesadas devido a força muscular aumentada. Nestes casos, se indica o uso terapêutico do Botox® para a prevenção da formação de sulcos profundos (marcas) devido a contração excessiva da área em questão. Porém o bom senso é necessário para que a aplicação de Botox® não se torne um modismo entre os jovens. E a indicação ou não do método em debate deve ser avaliado por profissional médico, de preferência na área de dermatologia ou cirurgia plástica, já que estes profissionais costumam obter os resultados mais naturais, devido ao treinamento que receberam.
 
 
E se você reclamar que o seu Botox® não ficou igual ao da sua amiga, dê graças à Deus, pois o profissional soube respeitar as características individuais de cada uma, direcionando a aplicação somente para os pontos necessários.
O conselho ou orientação que deixo é que se procure fazer um Botox® em caso de sentir necessidade real, sem seguir tendências ou modismos. O fato de se ter indicação médica para realizar um Botox®, não necessariamente te empurra para fazê- lo, lembrando que a decisão final é intransferível ao paciente. Da mesma forma, o médico também pode declinar um pedido desnecessário para submeter um paciente a um Botox®, caso este não tenha indicação. Portanto, vamos usar do bom senso para tirar das toxinas o que elas têm de melhor.



*Dra. Simone de Carvalho Reis Barreiros é Dermatologia clínica, cirúrgica e cosmiátrica.