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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A importância da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) no contexto hospitalar

O controle da infecção hospitalar diz respeito à ética de não causar dano ao paciente expondo-o a infecções desnecessárias e à manutenção do equilíbrio no ambiente do organismo humano com seus parasitas.
Na tentativa de melhor explicar o papel dessa ciência no contexto hospitalar, iniciaremos com a definição de infecção hospitalar (IH), atualmente também denominada de INFECÇÃO ASSOCIADA AOS CUIDADOS DE SAÚDE, que é aquela adquirida após a admissão do paciente e que se manifesta durante a internação ou após a alta, quando puder ser relacionada com a internação ou procedimentos hospitalares.
Hipócrates já dizia aos seus discípulos, que não causar dano era um dos princípios fundamentais das atividades em todos os lugares e épocas; que estes deveriam curar quando possível, mitigar as dores frequentemente, consolar sempre e nunca causar danos.
• A CCIH, além de tantas funções, tem essa de fundamental importância, que é a de reduzir as taxas de IH. Alguns trabalhos mostram reduções de 18% e 32%, respectivamente em hospitais sem ou com CCIH bem estruturada.
Para tal resultado, necessita-se:

• Apoio técnico da administração e diretoria;
• Dados epidemiológicos e estímulo ao trabalho em equipe;
• Grupo de pessoas com conhecimentos, habilidades e apoio recíproco com a finalidade de resolver problemas de alta complexidade e crônicos, agindo em conjunto.

A Portaria 2.616, de 12 de maio de 1998, vigente no País, considera que: “...as infecções hospitalares constituem risco significativo à saúde dos usuários dos hospitais, e sua prevenção e controle envolvem medidas de qualificação de assistência hospitalar, de vigilância sanitária e outras, tomadas no âmbito do Estado, do município e de cada hospital...”.
Na busca desses resultados devem ser constituídas as CCIH, de caráter obrigatório pelo Ministério da Saúde, em todas as unidades de saúde:

• CCIH: grupo de profissionais da área de saúde, nível superior, formalmente designado para planejar, elaborar, implementar, manter e avaliar o Plano de Controle de Infecção Hospitalar (PCIH), adequando às características e necessidades da uniade hospitalar, constituída de membros consultores e executores.
• Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH): Os membros executores constituem o SCIH.

Acima de tudo, a CCIH, devem ser entendidos como órgãos de apoio a todos os setores e áreas de atuação da medicina, enfermagem, fisioterapia e afins e oportunidade inquestionável de inter e multidisciplinalidade. A necessidade de aquisição de conhecimentos na prática atual das ciências da saúde exige velocidade máxima e a CCIH está plenamente à disposição para apoiar e auxiliar em diversas questões como atualização do uso racional de antimicrobianos, indicação de anti-sépticos e desinfetantes, dirimir questões sobre microorganismos multirresistentes, doenças emergentes e reemergentes, surtos intra-hospitalares, atuação em centro-cirúrgico e central de esterilização, esclarecimento sobre a legislação vigente.
Deste modo, quando se fala em controle da infecção hospitalar, além de atividade técnica específica, devemos incluí-lo como componente básico de qualquer programa de garantia de qualidade.

* Dra. Rosana Rangel é Infectologista

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A Obesidade e seus mitos

Mito 1 – A obesidade é um problema mundial comum aos americanos. No Brasil, o mais grave é a fome.
O Brasil é um país de extremos: da mesma forma que existe fome, nossa população se torna a cada dia mais obesa, levando ao consumo de remédios para emagrecimento de forma exagerada. O Brasil é o país ocidental que mais consome remédios para emagrecimento (como as anfetaminas, comuns em fórmulas para emagrecer).

Mito 2 – Só é gordo quem quer
Ser obeso não é falta de vergonha na cara como muitos pensam. Primeiramente existem doenças, como distúrbios hormonais (da tireóide e das supra-renais), distúrbios psicológicos/psiquiátricos (ansiedade/depressão/bulimia). Depois é preciso avaliar os hábitos alimentares e o grau de atividade física diária.

Mito 3 – Dar intervalo muito grande entre as refeições ajuda a emagrecer
Os intervalos entre as refeições devem ser de no máximo quatro horas. Intervalos longos entre as refeições estimulam a produção de cortisol (hormônio liberado nos momentos de estresse) e de insulina em exagero durante as refeições, levando nosso corpo a acumular quantidades cada vez maiores de gordura, principalmente na famosa barriguinha.

Mito 4 – Barriga só faz mal para a estética
Sabe-se que quanto maior a circunferência abdominal maior o risco cardiovascular, ou seja, a chance de sofrer um infarto do miocárdio ou derrame e o desenvolvimento de diabetes hipertensão arterial. O acúmulo de gordura abdominal está relacionado também à presença de gordura em nossas vísceras, como o fígado e coração.

Mito 5 – Obesidade só faz mal para nossa aparência!
Obesidade é o fato de risco para apnéia do sono, observada pela presença de parada respiratória durante o sono, que é causa de arritmia e morte súbita. Também pode causar hepatite gordurosa, ou seja, inflamação no fígado por excesso de gordura, podendo levar à cirrose hepática.
Mulheres obesas apresentam maior risco de câncer de endométrio (revestimento interno do útero) e homens obesos têm maior risco de apresentar disfunção erétil.

Mito 6 – Somente os obesos precisam de dieta
Dieta nem sempre é sinal de restrição alimentar. É na verdade um conjunto de hábitos adotados para melhorar nossa qualidade de vida. Recentemente foi publicado um importante estudo europeu que comprovou que o acompanhamento nutricional regular pode aumentar nossa xpectativa de vida em até 14 anos. Não existe remédio nenhum com tanto poder de impacto em nossa qualidade de vida.

Mito 7 – Exercício para emagrecer tem que ser em excesso.
A recomendação é que a atividade física seja realizada regularmente, não passando mais de 48 horas sem exercício. A duração é de 150 minutos semanais (intensidade moderada) ou 90 minutos (intensidade alta) distribuídos ao longo da semana.

*Dr. Sérvio Paixão é Cardiologista

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Farmácia em casa

1. Cheque o armário dos remédios pelo menos uma vez ao ano. Retire todos os itens do armário e cheque as datas de vencimento e jogue fora os remédios vencidos. Se algum medicamento estiver fora da embalagem original, ou sem rótulo, jogue-o fora. Alguns medicamentos podem ser danificados quando expostos à luz e à umidade, devendo ser mantidos em embalagens especiais, como vidro escurecido. Jogue fora tubos e cremes ressecados e rachados, assim como líquidos que estejam turvos, ou com resíduos.

2. Todo medicamento é um veneno em potencial. Se tiver crianças em casa, mantenha os remédios e vitaminas trancados em armário alto, fora do alcance delas.

3. Esqueça de vez "a automedicação". Lembre-se: o remédio que você usa ou aquele que o filho da sua vizinha toma, pode ser prejudicial para o seu filho.

4. Armários com remédios, xampus, cremes, produtos de limpeza, inseticidas, graxas de sapato e outros produtos químicos devem ser trancados à chave ou cadeado, ou ainda localizar-se em altura suficiente, fora do alcance das crianças.

5. Nunca use recipientes de alimentos para guardar produtos de limpeza ou inseticidas.

6. Medicamentos em cápsulas: a quantidade contida na embalagem deve ser a mesma indicada. Examine se existem manchas na superfície, isto indica deterioração do medicamento ou da cápsula examine a existência de cápsulas vazias ou com rachaduras (trincados); cápsulas pegajosas indicam excesso de umidade em contato com a cápsula. Verifique se a embalagem está bem fechada.

7. Supositórios: quando mal armazenados podem desmanchar (excesso de calor); Manchas presentes na superfície podem indicar deterioração; Procure conservar em local bem fresco ou sob refrigeração leve (no refrigerador na parte inferior).

8. Pomadas e Cremes: Partes com coloração e consistência diferente; Quando ocorrer separação da parte líquida e sólida. Quando vazar através da tampa ou estufar a bisnaga. Verifique se há gases no interior da bisnaga.

9. Comprimidos: Desprezar comprimidos quebrados ou faltando partes, se desmanchando ou se esfacelando facilmente; A quantidade de comprimidos na embalagem deve ser igual ao número indicado na mesma.

10. Xaropes e medicamentos líquidos: Fique atento à presença de substâncias sólidas no fundo do frasco ou no líquido, a qualquer cheiro diferente ou desagradável, à possíveis mudanças de coloração, aos frascos com tampa estufada, às embalagens ou bulas molhadas. No caso de suspensões (líquidos com partículas minúsculas que quando em repouso ficam depositadas no fundo do frasco), observe se ao serem agitados não ficam homogêneos.

11. Soluções injetáveis (ampolas, frascos, etc): Observe a presença de partículas sólidas no líquido, vazamentos e qualquer coloração anormal. Evite expor a solução à luz solar direta. Quando for tomar medicamentos injetáveis, tenha sempre consigo a receita médica (não se deve tomar medicamentos injetáveis sem receita médica). Observe as condições higiênicas da sala, a presença de pessoa habilitada e o uso de materiais descartáveis.

12. Antibióticos: siga corretamente a posologia prescrita pelo médico e não o utilize indiscriminadamente. Leve em conta o perigo de resistência bacteriana.

13. Não troque nem guarde a bula de um medicamento na caixa de outro, pois esta atitude pode levar a ingestão errônea de medicamentos e posologias não recomendadas, causando intoxicações.

14. Na farmácia ou drogaria, procure pelo farmacêutico habilitado e extraia dele o máximo de informações possíveis sobre o medicamento prescrito pelo médico, tais como possíveis interações medicamentosas, posologia correta, reações adversas e, sobretudo, a importância da aderência ao tratamento.

15. Evite a compra de medicamentos anunciados pela TV ou rádio, pois só um profissional habilitado, um médico, tem condições de saber se você precisa ou não tomar um medicamento. Se for um medicamento de venda livre, oriente-se com o farmacêutico.

16. A maioria dos medicamentos é sensível à luz. Conserve-os na sua embalagem original, que já foi extensivamente testada para proteção do produto. É realmente importante que todo e qualquer medicamento fique abrigado da luz direta.

17. Outro grande mal na armazenagem dos medicamentos é a umidade. Mesmo as soluções devem ser protegidas da umidade, pois esta tem efeito deletério sobre a rotulagem do produto. Logo, mantenha os medicamentos em local seco, preferencialmente em prateleiras, afastados das paredes.

18. O calor também precisa ser evitado. A princípio, todo medicamento deve ser mantido em temperaturas abaixo dos 25ºC. No entanto, vários medicamentos requerem condições indicadas de temperatura e transporte. Leia as embalagens com atenção: elas devem conter as condições indicadas de armazenagem.

19. A limpeza é essencial em qualquer situação. Mantenha os medicamentos livres de pó, partículas, mofo, etc.

20. Os medicamentos devem ser armazenados isoladamente dos cosméticos, produtos de limpeza, perfumarias, e outros produtos químicos.

21. Medicamentos devem ser guardados em salas protegidas da entrada de insetos, roedores e aves. Periodicamente, promova a sanitização do local, tendo o cuidado de proteger os medicamentos do contato com substâncias utilizadas na sanitização. Uma opção é colocar telas finas nas janelas, para evitar a entrada de insetos e outros animais. Deve-se evitar a colocação de ralos no local de armazenagem de medicamentos.

22. Durante a gravidez e a amamentação, os cuidados com a ingestão de medicamentos devem ser redobrados: durante a gestação, a mulher deve evitar a ingestão de medicamentos, álcool, fumo, cafeína e drogas em geral. Alguns medicamentos podem causar problemas para o bebê. O médico deve sempre ser consultado antes da ingestão de qualquer medicamento.

23. Alguns medicamentos são inadequados para quem dirige ou opera máquinas, pois retardam os reflexos. O farmacêutico pode dar indicações a respeito disso.

24. A bebida alcoólica nem sempre combina com o uso dos medicamentos, pois pode interferir na sua absorção e efeito, podendo potencializa-lo ou promover efeitos tóxicos.

* Fonte: Ministério da Saúde