terça-feira, 14 de setembro de 2010

Mitos e Verdades sobre os cremes antienvelhecimento

Tudo que é vivo, é programado um dia para morrer. Nossas células num geral também são geneticamente programadas para morrerem e este processo se chama “apoptose”(morte programada). O envelhecimento humano já gerou entre cientistas várias especulações para se justificar suas causas, aonde sabemos que existem aproximadamente 18 teorias para se explicar os mecanismos do envelhecimento, teorias estas nem sempre plausíveis. O envelhecimento é um processo resultante de fatores genéticos (envelhecimento intrínseco) e externos (envelhecimento extrínseco). O envelhecimento intrínseco está diretamente ligado ao nosso tempo de vida, e portanto é inevitável; já o extrínseco é relacionado a fatores externos como a radiação ultra violeta, stress, fumo, bebidas alcoólicas, entre outros.
Com isso, a cada dia, as empresas farmacêuticas e de insumos vêm investindo mais e mais em pesquisas, acompanhadas de estudos histopatológicos, comprovando a eficácia de vários cremes dermatológicos industrializados e manipulados. Este perfil de cremes com comprovação científica são hoje denominados cosmecêuticos.
Dentro desta grande infinidade de cosmecêuticos, cabe destacar alguns destes e suas verdadeiras funções:

RETINÓIDES TÓPICOS: promovem a proliferação da pele e formação de colágeno novo o qual é responsável pela elasticidade cutânea, promovendo melhora das rugas finas de expressão e da aspereza da pele além de diminuição e clareamento das lesões solares. Para alguns tipos de pele podem ser cremes irritantes no início de seu uso, mas usando-o em dias alternados e interrompendo-o dois dias antes de exposição solar tornam- se toleráveis pela grande maioria.

DMAE(dimetilaminoetanol): um dos cosmecêuticos mais badalados na última década, porém, no início, gerou algumas confusões em relação a sua real ação, já que se achava que era um creme que promovia uma diminuição da contração muscular local e conseqüente relaxamento das rugas. Hoje, já se foi comprovado em estudos que o DMAE, provoca um inchaço nos fibroblastos, promovendo uma sensação de estiramento da pele ou aumento de seu volume.

VITAMINA C: antioxidante que recupera os danos solares, além de hidratar e melhorar o brilho da pele.

ÁCIDO HIALURÔNICO: age como um bom umectante. Aumenta o espessamento da epiderme e promove a estimulação de ácido hialurônico na derme.

ALPHAHIDROXIÁCIDOS: relacionados a melhora do envelhecimento e clareamento da pele, ainda não se tem estudo histológico muito conclusivo em relação a este efeito, apesar de seu uso tópico propiciar melhora da textura e coloração da pele.

Dentre tantos outros ativos que as indústrias farmacêuticas têm lançado, existem uma infinidade de novos produtos com a proposta de melhorar o envelhecimento cutâneo, podemos também citar os mais novos como: coffeberry®, longevicell®,cryptophalus aspersa®, pro xylane®, meroxyl xl®, densi skin®, remoduline®,coenzima q10®, raffermine® e tantos outros que já existem e que virão.
O ideal para se previnir o envelhecimento cutâneo, é com certeza adquirir os bons hábitos, tais como, desde cedo usar os filtros solares, ter uma vida regrada e saudável com uma boa alimentação, evitando também bebidas alcoólocas em excesso e o hábito do fumo, além de tentar minimizar o stress.
Logicamente, ao primeiro sinal de envelhecimento, ou de preferência, antes do aparecimento deste, vale procurar o profissional dermatologista o qual lhe poderá indicar os cosmecêuticos mais adequados para cada situação. Lembrando sempre, que não existe nenhuma fórmula miraculosa para um envelhecimento já bem marcante. A prevenção ainda é o melhor remédio.

* Dra. Simone de Carvalho Reis Barreiros é Dermatologia clínica, cirúrgica e cosmiátrica.

Doença de Parkinson

A doença de Parkinson é uma doença neurológica, conhecida desde 1817, que basicamente compromete, de uma forma lenta e progressiva, os movimentos da pessoa. Geralmente acomete indivíduos com idade acima de 50 anos, com aumento da prevalência em pessoas mais idosas. Atualmente estima-se que aproximadamente 1% da população acima de 60 anos têm a doença de Parkinson.
Apesar do longo tempo de conhecimento da patologia e dos recentes avanços científicos, sua causa ainda permanece desconhecida, sabendo-se que a doença ocorre pela degeneração de uma região cerebral conhecida como substância negra. Essa região, que fica no tronco encefálico , na parte posterior do cérebro, bilateralmente, é responsável pela produção de um neurotransmissor (substância química que transmite os impulsos nervosos de um neurônio a outro) chamado Dopamina, e é exatamente pela deficiência de Dopamina (entre outros neurotransmissores) que ocorrem a grande maioria dos sinais e sintomas.
O início da doença é praticamente imperceptível, tanto que é muito difícil mesmo para o parkinsoniano precisar quando os sintomas apareceram. Os principais deles são os tremores, rigidez muscular, lentidão de movimentos, desequilíbrio e alterações na fala e na escrita, sendo a intensidade dos mesmos muito individual de paciente a paciente.
O tremor costuma a ser o sinal mais frequente a chamar a atenção do paciente e de seus familiares, e embora seja o mais evidente, é o menos incapacitante. O tremor do parkinson tem a característica de no início ser maior de um lado (assimétrico), em repouso (ou seja, quando a pessoa está por exemplo com braços relaxados) e tende a diminuir quando realiza um movimento, é também regular e ritmado, manifestando-se com bastante frequência nas mãos. Já a lentidão de movimentos, também chamada Bradicinesia, é talvez o problema que mais afeta a qualidade de vida da pessoa com Parkinson, fazendo com que ela tenha mais dificuldade e demore mais tempo para executar as tarefas que antes fazia normalmente e com desenvoltura.
É comum os familiares perceberem que o movimento das pernas ou braços de um lado do corpo está mais lento, não acompanhando o balanço normal do resto do organismo. A rigidez muscular é outro sinal importante, geralmente perceptível ao exame clínico e que costuma ser bem evidenciado em braços, pernas e pescoço, bem como a face do paciente que torna-se rígida e inexpressiva (“congelada”). Outro fato comumente presenciado no idoso é a instabilidade postural, relatada como a ocorrência de desequilíbrios e quedas nos últimos meses, isto é causado em decorrência da marcha característica do parkinsoniano com passos curtos e arrastando os pés e calcanhares, fazendo com que o paciente curve a cabeça e o tronco, jogando o corpo para a frente. Outras manifestações clínicas (secundárias) são: distúrbios do sono, fala monótona e menos articulada, dificuldades em deglutir alimentos, letra diminuída e tremida (micrografia), aumento do suor (sudorese), disfunção sexual e urinária, entre outras.
O diagnóstico é feito através do exame clínico/neurológico e da história do paciente, podendo às vezes ser realizados exames laboratoriais e outros como tomografia computadorizada, eletroencefalograma, etc, apenas para excluir outras possíveis doenças. Infelizmente ainda não existe nenhum teste específico para diagnosticar a doença de parkinson. Existe ainda o parkinsonismo, que seria a presença dos sintomas de doença de parkinson secundário a outras doenças ou medicamentos, devendo isto ser investigado pelo médico no ato propedêutico.
O tratamento deve ser instituído sempre que os sintomas estiverem trazendo algum prejuízo na qualidade de vida do paciente e tem como idéia básica suprir a deficiência de dopamina nas conexões nervosas. O principal medicamento utilizado é a levodopa, um precurssor que é metabolizado em dopamina no nosso cérebro, e que inicialmente consegue fazer com que os pacientes levem praticamente uma vida normal, mas que tende a não apresentar a mesma resposta farmacológica.ao longo de 5 a 8 anos, podendo haver complicações e reações adversas ao tratamento. Existem outras classes de medicamentos que também são muito utilizados: drogas que estimulam os receptores de dopamina, outra que aumentam a disponibilidade da dopamina no cérebro e no sangue, neuroprotetores, anticolinérgicos, etc..
Outra possibilidade terapêutica são as cirurgias destinadas ao tratamento da doença de parkinson, que não promovem a cura e nem substituem o tratamento medicamentoso, mas podem atuar de forma significativa na atenuação de alguns sintomas, principalmente em situações de sintomatologia unilateral.
O curso da doença costuma ser lento e progressivo, alcançando as fases avançadas em 10 aos 25 anos, após o surgimento dos primeiros sintomas. Felizmente os conhecimentos atuais permitem oferecer aos pacientes uma boa qualidade de vida durante praticamente toda a evolução da patologia, e esses resultados são melhores quando conduzidos por múltiplos profissionais de saúde interagindo entre si no acompanhamento do paciente. Fisioterapêuta (auxiliando nas atividades motoras e na manutenção do equilíbrio), nutricionista, terapêutica ocupacional (preservando as funções e facilitando as atividades diárias), psicoterapeuta e fonoaudiólogo ( nas disfunções relacionadas à fala e deglutição) são de grande valia no arsenal terapêutico e a família tem papel fundamental na preservação da qualidade de vida bem como no enfrentamento das dificuldades que tendem a aparecer ao longo da enfermidade. Aconselha-se também associar hábitos de vida saudáveis, manter sempre que possível as suas atividades laborativas e a prática de exercícios físicos, regularmente.
A síndrome de parkinson não é uma doença fatal, mas carrega em si uma série de comorbidades (como depressão e síndromes demenciais que podem aparecer nas fases avançadas da doença) e complicações relacionadas ao tratamento ou ao próprio avanço do processo degenerativo que merecem especial atenção da equipe de saúde aos aspectos físicos e também emocionais que acompanham o paciente e seus familiares.

* Dr. Renato de Carvalho e Silva Braz é Clínico Geral e Geriatra

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Transtorno Afetivo Bipolar

As descrições do que chamamos hoje transtornos do humor têm sido feitas desde a antiguidade, podendo ser encontradas em muitos textos antigos. Em 1899, o psiquiatra alemão Emil Kraepelim, elaborando sobre conhecimentos de psiquiatras franceses e alemães anteriores, descreveu a Psicose Maníaco-Depressiva, que continha a maioria dos critérios diagnósticos utilizados atualmente para o estabelecimento do Transtorno Bipolar. Atualmente, este nome não é mais utilizado, principalmente porque nem todas as pessoas acometidas pela doença apresentam sintomas psicóticos, ou seja, a perda do limite de realidade. Trata-se de uma doença caracteristicamente do humor.
O humor pode ser normal, elevado ou deprimido. Todos nós experimentamos alterações no humor, os chamados "altos e baixos", com suas igualmente variadas expressões afetivas. Nos transtornos do humor, perde-se o senso de controle dos humores e afetos. Acometem homens e mulheres na mesma porporção, podendo ter início da infância (5 ou 6 anos) aos 50 anos, ou mesmo depois (em casos raros), com uma idade média de 30 anos. Sua causa é desconhecida, estando envolvidos fatores genéticos, biológicos e psicossociais.
A principal característica da doença é a alternância de estados distintos de humor, como a depressão e a mania, intercalados por períodos onde o humor é predominantemente normal. Podem também ocorrer estados mistos (presença simultânea de sintomas depressivos e maníacos) e sintomas psicóticos. Os pacientes na fase depressiva apresentam perda do interesse, da energia, sentimentos de culpa, dificuldades de concentração, alterações do apetite, idéias suicidas e até tentativas, nos casos mais graves. Os pacientes na fase maníaca (ou seja, com humor elevado) mostram sintomas contrários (daí o termo "bipolar"): expansividade, euforia, auto-estima elevada, aumento da energia, da sexualidade e com pouca necessidade de dormir. O pensamento se torna acelerado, mudam de um assunto para outro rapidamente, tornam-se compulsivos, fazendo compras e gastos excessivos. Sintomas como agressividade, irritabilidade e impulsividade são comuns. Os sintomas psicóticos, quando presentes, são relacionados ao humor vivido pelo paciente, podendo ser idéias de ruína (na fase depressiva) ou de grandeza (na fase maníaca). Neste caso, é comum pacientes julgarem-se pessoas importantes, donos de grandes empresas, artistas, ou detentores de poderes especiais.
O Transtorno Bipolar pode ser dividido em tipos I e II, com ou sem sintomas psicóticos. O tipo I é o tipo clássico, onde há alternância entre episódios maníacos e depressivos. Já no tipo II, há alternância entre episódios hipomaníacos e depressivos. A hipomania é uma alteração do humor semelhante à mania, porem, com menos intensidade.
Não há exames específicos para a determinação do diagnóstico, que é essencialmente baseado no exame psiquiátrico detalhado. Devem ser pesquisados e excluídos o uso de substâncias, como medicações para emagrecer, alcoolismo e abuso de drogas ilícitas, como a causa da alteração do humor, mas podem ocorrer paralelamente, no que chamamos de comorbidade.
É de extrema importância frisar que a carência de lítio não é uma das causas do transtorno bipolar nem de depressão, como muitas pessoas pensam. O lítio é um mineral presente na natureza e em nosso organismo seus níveis são muito pequenos, geralmente indetectáveis. Por mecanismos de atuação ainda desconhecidos, descobriu-se que sua administração no Transtorno Afetivo Bipolar e em determinados tipos de depressão é benéfica, devendo a medicação ser dosada regularmente no sangue, para que o psiquiatra possa determinar se seu nível encontra-se na faixa terapêutica, ou seja, num valor considerado seguro e eficaz para a estabilização do paciente.
O tratamento dos transtornos do humor deve ser dirigido para vários objetivos: garantir a segurança do paciente (em alguns casos, a hospitalização é indicada), uma completa avaliação diagnóstica e um plano de tratamento que aborde não apenas os sintomas imediatos, mas também o bem-estar futuro do paciente. O psiquiatra deve integrar a farmacoterapia com intervenções psicoterapêuticas. Os estabilizadores do humor, antipsicóticos e antidepressivos são largamente utilizados, com resultados positivos tanto no tratamento da fase aguda quanto na manutenção, sendo esta de extrema importância na prevenção de recaídas.
Os muitos estudos sobre os transtornos do humor chegaram à conclusão geral de que o prognóstico tende a ser benigno em grande parte dos casos, o curso a ser longo, e que os pacientes chegam a apresentar recaídas. O acompanhamento médico regular, a conscientização e o entendimento da dinâmica da doença tanto pelo paciente quando pela família, bem como a observação dos sintomas de uma possível recaída são fundamentais. Com estas medidas, muitos pacientes com Transtorno Afetivo Bipolar conseguem se manter estáveis durante longos períodos, obtendo níveis satisfatórios de sua produtividade e vida social e familiar.


* Dr. Adriano Gannam Rodrigues da Cunha é Psiquiatra

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Saiba mais sobre a Incompatibilidade Sanguínea Feto Materno

As hemácias, que são estruturas moleculares que transportam o oxigênio pelo sangue, são caracterizadas imunologicamente por vários tipos de proteínas. Em relação às alterações causadas pela incompatibilidade sanguínea, que podem causar danos ao feto e ao recém nascido, apenas as proteínas de dois grupos são importantes: as do sistema Rh e as do sistema ABO. Quando falamos que o sangue é positivo ou negativo estamos nos referimos ao sistema RH, já o sistema ABO é aquele que define os tipos sanguíneos em A, B, AB e O.
O sistema Rh é caracterizado pela presença ou não de uma proteína (antígeno D), na superfície da célula. Se a hemácia possui esse antígeno, dizemos que a pessoa é Rh+ (Rh positivo). Se não possui, chamamos de Rh- (Rh negativo). O fator Rh é transmitido geneticamente, sendo a sua presença caracteristicamente dominante e a sua ausência, recessiva. As pessoas Rh- podem produzir anticorpos contra as hemácias Rh+, dependendo de prévia sensibilização. Quando a mãe é Rh- e o pai é Rh+, existe um risco que pode ser de cinqüenta ou cem por cento, dependendo dos genes paternos, de o casal gerar um filho Rh+. As sensibilizações ocorrem quando o sangue fetal (hemácias Rh+) entra em contato, isto é, caem na circulação da mãe, com sangue Rh -. Na maioria das vezes este contato existe no momento do nascimento, seja por cesariana ou parto normal. Podem também ocorrer durante a gestação, casos em que houve sangramento vaginal importante, ou em alguns procedimentos, como punções no útero, também. A doença tipicamente ocorre em uma segunda gestação, quando não foi realizado os cuidados após o parto de um filho Rh +, e esta gestação também for de um feto com sangue Rh +. Os anticorpos produzidos em uma gestação anterior passam através da placenta e se ligam as hemácias fetais, reconhecidas como um corpo estranho, e as destroem. Estas alterações configuram a patologia denominada doença hemolítica perinatal, ou eritroblastose fetal, termo este mais usado no passado. Quando não é feito o diagnóstico e, conseqüentemente, não foi implementado o tratamento correto a doença pode causar a morte do feto durante a gestação ou depois do nascimento. Outras conseqüências da doença podem ser deficiência mental, surdez, paralisia cerebral e icterícia. O sistema ABO também pode provocar a doença hemolítica perinatal, geralmente de intensidade e gravidade inferiores ao causado pelo sistema Rh, sendo controlada satisfatoriamente com tratamentos específicos, não necessitando de transfusão sanguínea. Como para o sistema ABO não existe prevenção específica, e os casos, na grande maioria das vezes, são brandos, não existe necessidade de preocupações maiores.
Para se proteger da doença hemolítica perinatal, a mãe RH - que tem parceiro RH + deve receber uma vacina composta de anticorpos, denominada gamaglobulina anti-RH, por via injetável logo após o nascimento do primeiro bebê RH positivo. Essa substância bloqueia o processo que produz anticorpos contra o sangue RH + do feto. A mãe recebe uma dose passiva temporária de anticorpos que destroem células sanguíneas RH positivo, impedindo assim que a mãe produza anticorpos permanentes. Desta forma, uma próxima gestação de feto com Rh positivo não corre o risco de desenvolver a doença.


* Dr. Felipe Canavez é Ginecologista e Obstetra

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Tome cuidado com a “Gordura Trans”

As gorduras trans são um tipo específico de gorduras formadas por um processo de hidrogenação natural ou industrial. Elas estão presentes principalmente nos alimentos industrializados, porém, pode-se encontrar em pequenas quantidades em alimentos de origem animal como o leite e as carnes.
As gorduras trans são obtidas a partir de óleos vegetais, que são submetidos a um procedimento químico chamado de hidrogenação. São utilizadas industrialmente em larga escala, com o objetivo de melhorar o paladar, consistência e até, aumentar o prazo de validade de alguns alimentos.
A principal fonte de ácidos graxos trans na dieta é a gordura vegetal hidrogenada, utilizada no preparo de margarinas, sorvetes cremosos, chocolates, pães recheados, biscoitos, alimentos com consistência crocante (batatas fritas, nuggets, croissants, tortas), bolos industrializados e alguns alimentos produzidos em redes de "fast-food".
As gorduras trans aumentam o LDL ("colesterol ruim") e reduzem o HDL ("colesterol bom"), aumentando assim, o risco de doenças cardiovasculares. Assim como outras gorduras, também aumentam os níveis de triglicerídeos. Recomenda-se que a ingestão da gordura trans deva ser menor que 1% das calorias totais da dieta.
Atualmente, o aumento do consumo de gordura tem sido muito discutido em função da relação de sua elevada ingestão com o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e circulatórias. O controle da epidemia das doenças cardiovasculares tem sido realizado adotando-se novos hábitos de vida em conjunto com uma alimentação controlada em gordura total e reduzida em gordura saturada e colesterol.
A solução é tentar reduzir ao máximo o consumo de gordura trans. A dificuldade é saber quais alimentos a contêm e em qual quantidade. Para tentar resolver esse problema, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou que, a partir de 1º de agosto de 2006, as empresas devem especificar nos rótulos o teor de gordura trans de seus produtos.
É obrigatório conter a informação de gordura trans nas embalagens dos alimentos para que assim as pessoas possam saber a quantidade de gordura trans presente nos alimentos e possam escolher alimentos mais saudáveis, com menores teores deste tipo de gordura ou mesmo optar por aqueles que não possuem a gordura trans. A recomendação é que se consuma o mínimo possível. Procure não ultrapassar a quantidade de 2 g por dia.



Alguns tipos de gorduras


Trans-saturadas
Presentes em batata-frita, margarina e biscoitos amanteigados. Não trás nenhum benefício e aumenta o colesterol e risco de doença cardíaca. Evite-os.


Gorduras Saturadas
Presentes em carnes gordas, laticínios e coco. Alguns tipos de gordura saturada encontradas em bife e manteiga podem entupir suas artérias. Limite-as a menos de 10% do total de sua ingestão de calorias.


Omega 6
Presente em óleos vegetais, sementes e nozes. Pode reduzir o LDL e o colesterol total, mas alto consumo pode abaixar o do benéfico colesterol HDL. Limite a 10% do total de sua ingestão de calorias.


Omega 3
Presente em peixes gordurosos, óleos vegetais e nozes. Abaixa o nível de triglicérides e o colesterol total. Alto consumo pode retardar a coagulação sangüínea.

Gorduras Mono-insaturadas
Presentes em azeite de oliva, abacate, amendoim. Abaixa o LDL e o colesterol total. Ingira a maior parte de gorduras desse tipo.
Alguns tipos especiais de gorduras, como ômega-3 e ômega-6, são saudáveis e cruciais para um sistema imunológico forte e uma pele saudável. A maioria dos alimentos possui mais de um tipo de gordura. Alguns deles, como nozes, possuem gordura mono-insaturada, ômega-6 e um pouco de ômega-3. Uma ótima combinação. Prefira alimentos mais saudáveis como as frutas e legumes, coma o mínimo possível de gordura animal e evite ao máximo o consumo de gorduras industrializadas. Assim você terá uma alimentação saudável e uma vida livre dos malefícios da gordura trans.


* Daniel de Jesus Silva é Nutricionista

Litíase Renal – Beba mais líquido e livre-se dos cálculos!

Os cálculos são formações sólidas compostas de sais minerais e de uma série de outras substâncias, especialmente o cálcio e o ácido úrico. Geralmente, são causados por fatores hereditários, obstrução das vias urinárias, infecções urinárias, distúrbios metabólicos (cistina e ácido úrico) e endócrinos (glândula paratireóide), ou urina concentrada, supersaturada de sais. Estão relacionados ainda à incidência os fatores climáticos - o clima quente favorece a incidência - sedentarismo, obesidade e hábitos culturais alimentares.
Os cálculos urinários representam a terceira causa mais freqüente de consultas aos urologistas. Causam dor, podem causar danos à função renal e aumentam os riscos de infecção do trato urinário, com transtornos importantes à vida social e profissional dos pacientes, além de despesas substanciais.
Sabemos que a maioria dos casos de cálculos podem ser evitados com a simples medida de aumento da ingesta de líquidos. Recomendamos que uma pessoa adulta beba pelo menos 2,5 l de líquido por dia, ou 30 ml/kg/dia. Em um estudo clinico, foi evidenciado que uma pessoa que urina pelo menos 2,0 l por dia apresentou uma recidiva de calculo renal 50 % menor do que uma pessoa com baixa ingesta de líquidos. Um observação prática : quando nossa urina estiver muito concentrada ( amarelo escuro), nessa ocasião é normal observarmos também ardência ao urinar,é esse tipo de urina que temos grande chance em formar calculo urinário, pois as partículas eliminadas na urina estão muito próximas e poderão se agrupar formando cálculos.
Lembramos também que pessoas que trabalham em locais muito quente, como galpões, cozinhas ( fogão), diretamente ao sol, devem ter atenção redobrada quanto a ingesta de líquidos.
Há estudos de que frutas não cítricas e grapefruit podem ter efeito negativo na formação do calculo por aumentar o oxalato urinário. Devemos evitar bebidas com alto teor de sais minerais, como repositores e alguns tipos de água mineral. Sucos de frutas cítricas (suco de limão), refrigerantes não derivados de colas e água mineral podem auxiliar a prevenção da litogênese. Como sugestão prática, o consumo de 120 ml de suco de limão, na forma de limonada, ao longo do dia, ou 1 litro de suco de laranja reduzem a formação de cálculos em cerca de 60% nos pacientes com litíase recorrente. Deve-se também reduzir a ingestão de sal (sódio) para prevenir a formação de cálculos.
Em geral, devemos ter uma dieta equilibrada e sem excessos, com aumento da ingesta de líquidos, principalmente a água, substância natural e que todos temos acesso. Para maiores esclarecimentos procure seu urologista.


* Dr. Clayton Bellei e Dr. Marco Antônio Salgueiro, são Urologistas.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Tire suas dúvidas sobre a "Pílula do dia seguinte"

A anticoncepção oral de emergência pode ajudar a prevenir uma gestação indesejada, e consequentemente abortos clandestinos, prevenindo a gravidez após uma relação sexual desprotegida.
A Organização Mundial de Saúde (OMS), estima que cerca de 585.000 mortes maternas ocorram anualmente em todo mundo, muitas das quais decorrentes de abortamentos provocados.
A anticoncepção de emergência é também conhecida como “pílula do dia seguinte” ou “pílula pós-coito”. Não deve ser utilizada rotineiramente como método contraceptivo, mas apenas em situações de emergência, como por exemplo: ruptura do preservativo, estupros, deslocamento de DIU, esquecimento do uso do contraceptivo hormonal, relações sexuais sem qualquer método contraceptivo.
A pílula do dia seguinte é uma medicação hormonal, contendo apenas progestogênios, normalmente o levonorgestrel na dose de 0,75mg, por serem mais eficazes e causarem menos efeitos colaterais em comparação aos contraceptivos hormonais combinados com progestogênios e estrogênios.
Seu mecanismo de ação não está completamente esclarecido. Dependendo do período do ciclo em que é usada atuam inibindo ou retardando a ovulação, alterando a produção hormonal ovariana, interferindo no transporte do óvulo até a cavidade uterina e na capacidade dos espermatozóides de fecundar o óvulo.
Esse método não é considerado abortivo pois, após a implantação do óvulo dentro da cavidade uterina, ele não interrompe a gestação em curso, nem provocam efeitos adversos ao feto. Também não causa nenhum dano a saúde da mulher se seu uso for ocasional.
Deve ser iniciada até no máximo 72h da relação sexual desprotegida, ingerindo um comprimido de levonorgestrel o mais precocemente possível, e outro comprimido após 12h do primeiro. Já existem no mercado farmacêutico, apresentações de pílulas pós-coito em dose única, ou seja um único comprimido que também deve ser usado em até 72h da relação desprotegida.
A menstruação poderá ocorrer até 10 dias antes ou depois da data esperada, mas na maioria dos casos ocorre na data esperada variando em 3 dias para mais ou para menos.
Vale lembrar, que esse método não é tão eficaz quanto os outros métodos contraceptivos, e que sua eficácia é maior quanto mais precoce for o seu uso, baixando para 2% as chances de gestação. Não devem ser usados regularmente como método contraceptivo e que também não protege contra DSTs.
Os efeitos colaterais mais comuns são: náuseas, vômitos, tontura, fadiga, dor de cabeça, dor nas mamas, dor abdominal, diarréia, e irregularidade menstrual.
Qualquer mulher pode usar o método, desde que não esteja grávida, pode ser usado em qualquer período do ciclo, e após o seu uso a mulher deverá ficar atenta para as seguintes situações: menstruação ausente dentro de 4 semanas, menstruação dolorosa ou escassa, devendo retornar p/ avaliação médica.
A auto medicação pode ser prejudicial para a saúde, portanto antes do uso de qualquer droga, consulte seu médico.


* Dra. Francinelle Kersten Lopes é Ginecologista e Obstetra